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O que esperar deste conluio entre FFERJ, Flamengo, Bolsonaro e Silvio Santos?

Chegamos a mais uma final de Campeonato Carioca. A competição que, durante muito tempo, representou todo o charme e beleza do futebol brasileiro, terminará na próxima semana como um dos maiores exemplos da falta de respeito entre os cartolas e as torcidas dos clubes.

Silvio Santos fecha acordo com Flamengo e transmitirá a finalíssima com Fla -Flu no Cariocão. Arte: Montagem / Reprodução.
Silvio Santos fecha acordo com Flamengo e transmitirá a finalíssima com Fla -Flu no Cariocão. Arte: Montagem / Reprodução.

Nesta página manchada da história do esporte no país, o primeiro campeonato estadual a chegar em sua partida final se aproxima de um encerramento melancólico e bizarro. Com protestos, notas de repúdio, pichações e declarações públicas de reprovação, um universo de amantes do esporte se juntou para peitar a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro – a FFERJ. De torcedores ilustres a atletas dos clubes, era praticamente unânime a posição de que não se deveria voltar à disputa neste momento.

Apesar do decreto municipal que Crivella garantiu para que as finais do Cariocão pudessem ter torcidas, a FFERJ preferiu que os portões permanecessem fechados, e nos concentramos na capacidade de transmitir estes jogos do teimoso Campeonato Carioca.

É quando encontramos o lobby dos dirigentes do Flamengo a favor de uma Medida Provisória que muda completamente as regras do jogo da transmissão dos jogos de futebol. Apelidada de “MP do Flamengo”, o rubro-negro declara guerra à Rede Globo e transmite sua primeira partida amparado na nova legislação.

Um grande imbróglio se acumula na discussão da competição, como se uma pandemia já não fosse pano de fundo suficiente para garantir o drama necessário ao desenrolar desta trama. A Globo rescinde o contrato da transmissão dos outros times participantes do Campeonato Carioca. O Fluminense chega à final da Taça Rio, e é sorteado como mandante. Novamente, o Flamengo tenta mudar as regras do jogo e transmitir o jogo, sob a alegação de que “jogo único seria mando neutro, então ambos podem transmitir”.

Com a Justiça entrando em cena, é necessário parar os desmandos orquestrados pelos comensais de Landim, presidente do Flamengo. O time da Gávea é proibido judicialmente de transmitir a final da Taça Rio. Fluminense vence o segundo turno, e prolonga a disputa até os dois jogos da finalíssima.

Depois de perder o primeiro jogo, a segunda partida será transmitida na TV aberta, por conta de um contrato celebrado entre o Flamengo e… o SBT de Sílvio Santos, apoiador de Bolsonaro. Assim, convido você a juntar as peças, e tirar suas próprias conclusões. Qual o objetivo de tudo isso? Quem tiver algum palpite, pode apostar: é tudo muito turvo e imprevisível nestes tempos sombrios.

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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