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Seria Neymar o nosso Cantona?

Neymar nunca esteve tão certo em alguma coisa

Sempre envolvido nas polêmicas, Neymar desta vez fez o papel do lado exemplar. Em confronto contra o Olympique de Marselha pelo calendário do futebol francês, o craque brasileiro sofreu racismo em campo, ao ser agredido verbalmente por González, atleta do time de Marselha.

Neymar acusa Álvaro González de racismo em campo. Foto: UOL Esportes
Neymar acusa Álvaro González de racismo em campo. Foto: Thumb UOL Esportes

O que veio a seguir é que causa revolta. Neymar agride González com um “cascudo”, e recebe o cartão vermelho na hora, denunciado pelo VAR, em campo. Revoltado, Neymar coloca a boca no trombone e denuncia a agressão no tom dos xingamentos do jogador do Olympique.

O que se segue é uma resposta defensiva de González, posando numa foto entre os jogadores negros do clube nas redes sociais; enquanto Neymar segue denunciando as ofensas: me chamou de “mono hijo de p*ta [macaco filho da p*ta]”. A Federação Francesa de Futebol (FFF) estuda punir os dois jogadores pelo episódio.

Não costumo ficar a favor das posições e comportamentos de Neymar Júnior, mas é de se dar o braço a torcer: o adulto Neymar é a vítima da situação, e a postura de denúncia que o jogador assumiu em público me faz ter respeito.

A crítica a ser tecida vem para ser feita à FFF: como pensa em punir Neymar por sete jogos? Como aumentar a suspensão do craque ao ter reagido a uma agressão racista em campo? Como punir quem combate o racismo, ao lado da postura difundida em tantas campanhas de marketing do futebol europeu?

Houve um célebre jogador francês que foi conhecido não só por seu talento como por sua postura em campo. Certa vez, Eric Cantona agrediu com uma “voadora” um torcedor que fazia saudações nazifascistas durante um jogo.

O francês foi duramente punido pela atitude, apesar de ter sido aplaudida pela opinião pública como a ilustração da luta contra a opressão no futebol europeu “na prática”. Cantona pegou vários jogos de suspensão na época, por volta dos anos 1990. Seria então Neymar o nosso Cantona?

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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