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Ser Capitalista ou Ser Cristão?

Ser Capitalista ou Ser Cristão?

Vivemos tempos conturbados. Com o advento da pandemia, a perda de milhares de vidas, onde a dor e o sofrimento invadem as casas de milhares de famílias, precisamos voltar nossos olhares para o sagrado, “Só Deus na causa”.

A Religião é uma necessidade humana, é uma forma biológica, psicológica e espiritual do inconsciente de buscar uma verdade, de dar sentido ao que não conhecemos. A busca espiritual “dá sentido à vida e a alma”. A Religião serve, portanto, para dar sentido à vida. Desta forma, entende-se a religião como uma construção social, necessária à sobrevivência do homem que, por sua vez, cria subsídios para sua existência. Para isso, é o próprio homem quem a cria, com o propósito de validar a religião, leis e outras exigências que passam a compor o código doutrinário das religiões.

Segundo Karl Marx, “a religião é o ópio do povo”, entende-se por “ópio”, a Religião sendo utilizada para suportar as “mazelas humanas”, fome, exploração, expropriação, etc. Isso fica nítido nos dias atuais, o “Capitalismo Selvagem”, da forma que estar sendo implantado no Brasil, estar levando a miséria milhões de famílias. E o que mais impressiona é que este receituário implantado conta  com o apoio e, pasmem, até a participação de líderes religiosos, ditos cristãos.

O Brasil, um País de predominantemente cristão, com a liberdade religiosa expressa na Constituição de 88, foi invadido por milhares de seitas e denominações religiosas ditas Cristãs, algumas fogem visivelmente dos preceitos bíblicos, aparentam ser qualquer coisa, menos “Entidades Cristãs”. Entendendo que para se denominar cristã devem, por obrigação, trilhar os caminhos ditados por “Jesus”, Filho de Deus, criador da Cristandade.

Antes de tudo, vamos entender o seguinte: valores cristãos são princípios espirituais e morais contidos na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus, e que constituem o alicerce sobre o qual a nossa vida pode (e deve) ser firmada. São, portanto, princípios de Deus para nós e que devem influenciar a nossa conduta no lar, no trabalho e na sociedade, norteando nossos alvos e nossos propósitos.

No Brasil vivemos baseados nos conceitos Capitalistas de Estado, e esses conceitos se confrontam, naturalmente, com os conceitos cristãos de “Fraternidade”, de “amor ao próximo”, de “Senso de Justiça”.

A grande revolução do cristianismo foi a revolução da solidariedade universal que consagra, em nome do amor a todo o próximo, a necessidade do cuidado, que se plasma e afirma, como dever fundamental até nos variados rituais sacramentais da liturgia da Igreja. Por exemplo, vemos no batismo o cuidado da fé e o dever da caridade, no casamento o dever do cuidado pelo cônjuge, na Santa Unção o dever do cuidado perante a fragilidade maior da existência humana: a doença.

Segundo os preceitos bíblicos cristãos, o cristianismo se baseia no “amor ao próximo”, que aí deriva ações como: Caridade, solidariedade, respeito, presteza, etc. O que difere frontalmente dos princípios basilares do Capitalismo: Consumismo, avareza, apego ao lucro, amor ao dinheiro. São duas concepções completamente opostas, não sobrevivem em um mesmo espaço, lembrando a máxima: “Ame a Deus, ou ao dinheiro”. Você não pode amar a dois Senhores. Assim, o Capitalismo obriga o homem a se afastar de Deus.

Cientistas sociais, numa tentativa de aplacar os efeitos danosos do Capitalismo no seu processo de “exclusão social”, a partir do modelo do economista John Maynard Keynes (1883-1946), que rompe com a visão de livre-mercado em favor da intervenção estatal na economia. A principal característica do Estado de Bem-Estar Social é a defesa dos direitos dos cidadãos à saúde, educação, previdência, etc. O Estado de Bem-Estar Social é visto como uma forma de combate às desigualdades sociais, na medida que promove o acesso dos serviços públicos a toda população. Porém, mesmo com essa busca da ciência pelo equilíbrio social, o que vemos é a exploração, a busca incessante pelo lucro, o ataque a tudo que é de bom nessa vida: A ciência, a cultura, as artes, ao meio-ambiente. O que prevalece é a fome, a miséria, o desemprego crônico que assola as populações.

Como você pode dizer ser “Capitalista e Cristão” ao mesmo tempo? Ou se é um ou outro! Como você pode se autodenominar “Cristão” ao mesmo tempo que permite, consciente ou inconscientemente, que o “Governo Capitalista” brasileiro condene a miséria, a fome, a falta de educação, a falta de saneamento e saúde, a morte, milhões de brasileiros e brasileiras, idosos, jovens e crianças, que se amontoam em míseros casebres urbanos nos milhares de guetos e favelas existentes nos mais diversos recantos do País. Você infringe o primeiro preceito Bíblico Cristão: O amor ao próximo, que é o ensinamento mais forte vindo de Jesus Cristo. Pois, por meio dele é possível colocar em prática todos os outros ensinamentos. Como tu dizes amar teu próximo se, portanto, não te preocupas com ele. Assim sendo, como não cumpres nem o primeiro Mandamento, como podes te autodenominar cristão.

Eis simplesmente um capitalista, não um cristão.

 

 

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Marcelino Chagas

Empresário, Professor e Ativista Político.

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