
Autoridades do estado do Novo México, nos Estados Unidos, iniciaram nesta semana uma operação de buscas em uma propriedade que pertenceu ao financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. A ação ocorre após novas informações sugerirem que vítimas de abuso poderiam ter sido enterradas no local. As informações foram divulgadas pelo g1.As buscas começaram no Zorro Ranch, propriedade localizada a cerca de 48 quilômetros ao sul de Santa Fé, capital do estado. O local era utilizado por Epstein e voltou a ser alvo de investigação depois que documentos revelados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxeram novas acusações envolvendo crimes cometidos na área.
De acordo com esses documentos, divulgados em janeiro, Epstein teria ordenado que os corpos de duas jovens estrangeiras fossem enterrados nas colinas próximas ao rancho. As revelações levaram o procurador-geral do Novo México, Raul Torrez, a determinar no mês passado a reabertura das investigações sobre as atividades do financista no local.
Em comunicado oficial, o Departamento de Justiça do Novo México afirmou que continuará acompanhando o caso e mantendo a população informada sobre o andamento das apurações.“O Departamento de Justiça do Novo México continuará mantendo o público devidamente informado, apoiando os sobreviventes e seguindo os fatos onde quer que eles levem”.
A operação mobilizou diferentes órgãos de segurança. Segundo relatos de uma testemunha da agência Reuters, cães farejadores foram levados ao local e veículos oficiais foram vistos deixando o rancho. Entre eles, havia um carro governamental identificado com um símbolo de pegada, o que indica o transporte de animais utilizados nas buscas.
Além disso, viaturas da polícia estadual e um veículo do corpo de bombeiros e resgate do condado também foram observados na área durante a operação.O caso envolvendo Epstein voltou ao centro do debate público após a divulgação, em 30 de janeiro, de milhões de páginas de documentos ligados às investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça.
Os arquivos revelam conexões sociais do financista com figuras influentes da política, do mundo empresarial e da comunidade científica, muitas das quais teriam visitado o rancho ao longo dos anos.
Jeffrey Epstein morreu em 2019, enquanto estava preso em Nova York aguardando julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. A morte foi oficialmente classificada como suicídio, mas o caso continua cercado de controvérsias e teorias.
No Novo México, uma investigação anterior sobre as atividades de Epstein havia sido encerrada em 2019, após solicitação de autoridades federais. Na época, não houve uma apuração completa sobre possíveis crimes cometidos no rancho nem sobre o envolvimento de outras pessoas que frequentavam a propriedade, incluindo a ex-parceira de Epstein, Ghislaine Maxwell.
Recentemente, o estado decidiu ampliar as investigações. No mês passado, legisladores criaram uma chamada “comissão da verdade”, iniciativa destinada a apurar possíveis falhas institucionais ou casos de corrupção que teriam permitido que Epstein operasse durante mais de duas décadas no local sem que as autoridades tomassem medidas efetivas.
Segundo autoridades estaduais, a comissão busca entender como o financista conseguiu manter suas atividades no rancho por cerca de 26 anos antes de sua morte.A propriedade deixou de pertencer ao espólio de Epstein em 2023, quando foi vendida ao empresário texano Don Huffines. Após adquirir o terreno, o novo proprietário rebatizou o local como San Rafael Ranch.
De acordo com o Departamento de Justiça do Novo México, os atuais donos da propriedade estão colaborando com as investigações e autorizaram a entrada das autoridades para a realização das buscas.As diligências devem continuar nos próximos dias, enquanto investigadores analisam o terreno em busca de possíveis evidências que possam esclarecer se crimes mais graves foram cometidos na propriedade ligada a Epstein.
Com Brasil 247
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