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Olimpíadas de Tóquio: Satisfeito. Porém, não muito

A brasileira Maria Suelen Altheman sofreu uma contusão grave no joelho esquerdo durante a luta das quartas de final do judô nas Olimpíadas de Tóquio.

Acordei hoje, neste domingo 08/08/21, ao ligar a TV que é uma das maiores fontes de notícias nestes tempos digitais, me deparei com a Cerimônia de Encerramento da “Olimpíada de Tóquio”, o âncora da Globo, esfuziante, exaltava os feitos do Brasil, 12º Colocado na Classificação Geral, 21 Medalhas, sendo 7 Ouros, um feito histórico, bradava ele. Fiquei intrigado e, como sou muito questionador, para alguns um chato rsrsrsrs. Fui investigar, me lancei nas pesquisas no “Pai dos Burros”, o Google é uma excelente ferramenta de pesquisa, e o que vi lá, não me deixou muito feliz. Que foi bom!!!! Foi, porém, deixa muito a desejar para quem quer ver um País grandioso como o nosso, um País Continente, 6º mais populoso do Planeta com mais de 212 Milhões de habitantes, na sua grande maioria jovens, que sonham ser alguém, que amam, idolatram seu País. Mas, o que vemos, não justifica esse pífio resultado. Não quero eu tirar os méritos dos nossos heróis Olímpicos, muitos destes, foram para lá no sacrifício, basta ver a história do Baiano Isaquias Queiroz, ouro na canoagem; do Potiguar Italo, ouro no Surfe, que treinava com a tampa da caixa de isopor da Peixaria do Pai e tantos outros anônimos que padecem sem qualquer apoio dos entes públicos.

Criado em 2005, no Governo Lula, o “Bolsa Atleta” que tem por finalidade patrocinar os Atletas de auto rendimento. O Bolsa-Atleta é o maior programa de patrocínio individual de esportistas do mundo. O público beneficiário é composto de atletas que têm a possibilidade de alto rendimento e que obtêm bons resultados em competições nacionais e internacionais de sua modalidade. O programa garante condições mínimas para que eles se dediquem ao treinamento e competições locais, sul-americanas, pan-americanas, mundiais, olímpicas e paraolímpicas. Porém, o que se viu em 2020, vésperas da Olimpíada que deveria ter sido realizada em 2020, foi o Governo Bolsonaro não assinar o “Bolsa Atleta”, privando milhares de atletas de seu custeio, privilegiando alguns poucos afortunados que caíram nas graças do Governo, em especial, os Atletas militares, das 3 forças: Exército, Marinha e Aeronáutica; e destes 92 militares que participaram desta Olimpíada, muitos não prestaram a Continência habitual, apenas 6 trouxeram medalhas. Segundo levantamento do ge.globo.com, dos 301 atletas que foram a Tóquio, 242 recebem a Bolsa e 83 ganham as duas menores categorias, que correspondem a menos de 2.000 reais por mês. Além disso, 33 dos 301 se sustentam graças a outra profissão. São cinco motoristas de aplicativo, quatro empresários e quatro profissionais de educação física, as três profissões mais comuns aos atletas que não conseguem ser só atletas. Felipe Vinícius dos Santos, que competiu na prova de decatlo (terminou em 18°), é um dos que precisou dirigir Uber para se sustentar na preparação.

A falta de apoio, de incentivo, de políticas públicas para alavancar o Esporte, não apenas de alguns poucos sortudos, mas sim, de milhões de jovens brasileiros que precisam ter acesso as diversas modalidades esportivas, que se inclua a educação esportiva como grade curricular em toda rede de ensino, seja pública ou privada. Para que, talvez, em alguns poucos anos, estarmos no nível de Países como: EUA com 113 medalhas, sendo 39 Ouros, a China com 88 medalhas, sendo 38 Ouros; até Cuba, uma pequena Ilha do Caribe com 109.884 Km/2, com uma população de apenas 11,2 Milhões de habitantes, que sofre há mais de 50 anos um “bloqueio Econômico” orquestrado pelo Capitalismo dos EUA, com apoio de quase todos os países americanos, inclusive o Brasil. Mesmo assim, esse pequeno e pobre País, apesar de todo esse boicote, conseguiu nesta Olimpíada 15 medalhas, sendo 7 Ouros, o mesmo número de medalhas de ouro conseguido pelo Brasil.

Alguma coisa estar errada, essa conta não fecha. Precisamos urgentemente repensar o País que queremos, o Brasil que iremos deixar para nossos filhos e netos, nosso futuro. Da forma como estão sendo encaminhadas as coisas, não teremos futuro. O maior exemplo disso foi a luta entre a Judoca brasileira Maria Suelen (32 anos) e a Francesa Romane Dicko (com apenas 20 anos) que resultou numa “lesão Grave” no joelho da brasileira, tirando-lhe o pódio e a saúde. Chega a ser criminoso incluir, na Delegação do Judô brasileiro, com todo respeito a Brava Guerreira Maria Suelen, uma “Senhora” de mais de 30 anos. Ela só estava lá por falta de quadros, o Governo brasileiro não estar dando as condições de que apareçam, que surjam novas Marias Suelen. Este é o ponto, esta é a temática que estar sendo posta, o resto é conivência e vassalagem.

Como afirmei anteriormente, não pretendo aqui, desprestigiar a Delegação Olímpica, ofuscar o brilho do seu empenho. O que me preocupa é a ausência desse debate, é a anuência, a concordância da mídia (como um todo) em aceitar este modelo, em tornar-se cumplice deste desserviço para com o País. O Brasil não é apenas isso, somos melhores que isso. Merecemos respeito.

Empresário, Professor e Ativista Político.

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Marcelino Chagas

Empresário, Professor e Ativista Político.

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