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Nunca fiz amigos bebendo leite

Semana crucial para a luta contra o fascismo no mundo estará nos livros de história

Em uma semana que poderia muito bem ter sido um ano inteiro – dada a quantidade de fatos históricos e relevantes – assistimos a um turbilhão de simbologias sendo vomitado num público ora desnorteado, ora enfurecido.

A morte de George Floyd nos Estados Unidos foi o estopim que desencadeou uma série de revoltas e manifestações não só pela América do Norte, como também pelo resto do mundo. Assim, entre um grito de socorro e um urro de fúria, os despossuídos do mundo se colocaram nas ruas.

Protestos antirracistas nos EUA. Foto: Reprodução / Twitter
Protestos antirracistas nos EUA. Foto: Reprodução / Twitter

Com países de grandes proporções como Brasil e Estados Unidos sendo epicentros de uma pandemia, vemos o embate permear diferentes níveis e esferas: entre totalitaristas e democratas; entre policiais de pele branca e cidadãos de pele negra; e entre cientistas respeitados e leigos convictos.

Atletas famosos, como Colin Kaepernic, se dispondo a pagar advogados para os manifestantes que forem presos durante os protestos antirracistas nos EUA; enquanto no Brasil, torcidas organizadas precisam furar o isolamento durante a pandemia para se lutar contra o fascismo que dá as caras desavergonhadamente em plena luz do dia.

Na contramão desta investida contra a onda conservadora, encontramos dois Chefes de Estado – Trump e Bolsonaro – trabalhando a favor da desigualdade, do ódio e pela pulsão de morte, bastiões da necropolítica e de uma decrepitude típica da extrema direita de nossos dias.

Vemos Trump querendo classificar os manifestantes dos EUA como terroristas; enquanto Bolsonaro tem a seu favor a mentalidade repressora das polícias militares; que rechaçaram os atos antifascistas das torcidas de futebol, enquanto protegiam neonazistas armados de tacos de beisebol em plena Avenida Paulista.

No ápice da simbologia, Bolsonaro usa uma suposta campanha de produtores pecuaristas, criada especialmente para distorcer significados, e passa a brindar o “sucesso” de suas ações com leite. Simbologia conhecidamente nazista, nosso presidente brinda aos mortos pela pandemia, aos agredidos pelas polícias, aos esfomeados nos becos e favelas.

A última semana que vivemos estará, com certeza, nos livros de história; e o que nos resta é lutar para sermos vitoriosos nestas páginas de ínicio de século. De um lado, os que brindaram com leite; do outro, os que lutam para ter o direito de viver. Nunca fiz amigos bebendo leite. E assim será, até o fim de meus dias.

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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