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Nos dê um gole de vida

"Os bares estão cheios... de almas tão vazias"

E cá estamos novamente,meus irmãos, em mais um culto à mediocridade. Numa semana onde encontramos sistemática ações que nos enojam, mas serve como vitrine para que percebam fora do país como somos.

Aglomeração de pessoas na reabertura dos bares no Leblon, Rio de Janeiro. Foto: Twitter / Reprodução.
Aglomeração de pessoas na reabertura dos bares no Leblon, Rio de Janeiro. Foto: Twitter / Reprodução.

E parece ser a pior parte aquela com a qual nos esforçamos em mostrar. Seja pelas declarações da primeira dama da maior cidade da América do Sul e sua amiga socialite, seja pelas comemorações pela abertura dos bares, culminando com o aniversário de independência… dos Estados unidos.

A mediocridade e mesquinhez do brasileiro envergonha cada um que mora fora do país; amigos meus têm sido alvo de piadas no exterior, sempre que são “descobertos” brasileiros. É quase como um atestado de mediocridade, estampado na testa de cada filho e filha deste país.

Nunca tivemos tanta vergonha de ser brasileiros. Porque cada vez que uma socialite debocha das pessoas em situação de rua, menospreza todo um trabalho de assistência social que trabalha para combater essa triste realidade.

a Primeira Dama Bia Doria (à esq.) e sua amiga, a socialite Val Marchiori. Fonte: Instagram / Reprodução.
a Primeira Dama Bia Doria (à esq.) e sua amiga, a socialite Val Marchiori. Fonte: Instagram / Reprodução.

É vergonhoso também ver um presidente comemorar sua submissão, quando deveríamos estar falando de salvar nossa soberania. E o que dizer do jovem branco, morador do Leblon, que sai para tomar sua cerveja na reabertura dos bares?

E assim, quando retorna da sua balada essencial, expõe sua empregada doméstica ao vírus; e ela volta pra favela, onde já tem tanta gente lutando uma batalha impossível de ser vencida, tentando não espalhar a doença.

Esses são os vídeos que rodam o mundo demonstrando nosso orgulho de sermos brasileiros. Duas socialites debochando, o presidente comemorando um feriado de outra nação; e jovens se aglomerando descontroladamente no meio de uma pandemia, onde um retorno gradual e o uso do bom senso deveriam ser a regra de ouro.

Mas que regra de ouro, que eles não conseguem ver além do que reluz? Afinal de contas, já dizia o poeta que “a ganância vibra e a vaidade excita”. Aqui ninguém vai para o céu.

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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