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Duzentão na mão?

O Brasil da Lava Jato faltou a aula sobre notas de alto valor

Na última quarta feira, no apagar das luzes do mês de julho, uma notícia curiosa ganhou os canais e veículos de imprensa no Brasil: será lançada uma nova nota da moeda corrente nacional, a cédula de duzentos Reais. A impressão desta nova cédula trará o lobo guará como animal temático, tendo em vista que todas as notas de Real possuem estampas de animais da fauna brasileira.

Banco Central. Foto: EBC / Reprodução
Banco Central. Foto: EBC / Reprodução

Não seria nada demais, se não fosse a conjuntura e os atores políticos inseridos neste recorte histórico. Num momento em que a opinião pública nacional tritura a aprovação do presidente, que tem seus filhos investigados; aliados fugidos; base política instável; e por fim, com saúde debilitada.

Milhares de teorias são construídas para sustentar a cortina de fumaça instaurada como tática deste governo para continuar atuando com seus desmontes e desmandos. Logicamente, a nota de duzentos tem esta função na “estratégia governamental” de Bolsonaro. Assim vai passando a boiada antianbientalista de Sales; vai vendendo plataformas da Petrobrás a preço de banana; vai abarrotando galpões militares com cloroquina.

Com o país rumando à marca de cem mil mortes (as registradas oficialmente, vale lembrar), a prioridade do debate governista do momento se estampa numa manchete que imprime notas com o mesmo valor que o governo havia proposto para sustentar sua população na calamidade pandêmica. Tudo de caso pensado, intencional, meticulosamente alimentado pelo caos.

Nota de Duzentos Reais em episódio de 'Os Simpsons'. Imagem: Reprodução Internet
Nota de Duzentos Reais em episódio de ‘Os Simpsons’. Imagem: Reprodução Internet

Referências negativas a valores altos em cédulas de dinheiro sempre foram propagadas. Lembro-me de pelo menos quatro ou cinco produções audiovisuais europeias que citavam em seus roteiros referências entre as notas de quinhentos Euros e mafiosos e golpistas, sempre estabelecendo uma atmosfera infame em torno das notas.

As notas de quinhentos Euros, inclusive, deixaram de ser produzidas por conta desta insegurança sentida ao carregar tanto valor estampado em apenas um único pedaço de papel. Assim, seria uma lição a ser aprendida, mas parece que o Brasil faltou esta aula. Assim, facilitando a corrupção e a lavagem de dinheiro, o governo federal resolve lançar a nota de duzentos Reais. Afinal, por que carregar duas maletas quando se precisa apenas de uma?

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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