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Brasil não fará parte do ato de fundação de ‘Conselho da Paz’ de Trump

O governo de Donald Trump tentou marcar um enterro formal para a ONU. Nesta quinta-feira, em Davos, o presidente dos EUA anunciará oficialmente a criação de um órgão que rivalize com as Nações Unidas, o que ele chamou de ‘Conselho da Paz’.

Mas sua esperança era de que, para o evento desta semana, alguns dos nomes mais importantes da política internacional pudessem estar ao seu lado para o “ato de fundação”. O que vem ocorrendo, porém, tem frustrado os diplomatas americanos.

O governo de Marrocos foi enfático em saudar a proposta e anunciar que está disposto a fazer parte. A mesma sinalização foi dada pelo Uzbequistão, Hungria e Armênia. Javier Milei viajou até Davos para fazer parte do “ato histórico”. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também deixou Assunção e estará na Suíça para a fundação do órgão.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Bielorrússia disse ainda que Minsk “está pronta para participar das atividades do Conselho de Paz e esperamos que a organização expanda consideravelmente seu escopo e poderes além dos limites da iniciativa.”

Mas a lista de apoios não é das mais expressivas. O ICL Notícias foi informado pelo Palácio do Planalto que o Brasil não estará presente e que, portanto, não assinará qualquer adesão. Conforme a reportagem revelou com exclusividade no sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos convidados de Trump.

Em Davos, o governo federal está sendo representado por Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. Ela não foi instruída a estar no evento e nem os diplomatas brasileiros.

Causa preocupação às autoridades brasileiras que a nova organização mundial tenha a liderança exclusiva de Trump que, pelo novo estatuto, poderá vetar a adesão de países ou rejeitar qualquer proposta que não seja de seu interesse.

A cobrança de US$ 1 bilhão para que um país seja membro permanente também desvirtua a ideia de que o Conselho seja formado por nações que tenham legitimidade internacional.

Mas o que mais preocupa é o sentimento de que o projeto pode minar de forma profunda a ONU e o multilateralismo.

Noruega e França rejeitam adesão

O vice-ministro das Relações Exteriores da Noruega, Andreas Motzfeldt-Kravik, afirmou que o país tampouco irá aderir ao Conselho da Paz.

“É absolutamente claro que não podemos fazer parte de uma estrutura que questiona o papel da ONU e o direito internacional vigente”, disse. “Isso seria absolutamente impossível para nós – e não apenas para nós, mas também para a grande maioria, pelo menos dos Estados europeus, bem como para muitos outros Estados – para quem a ONU e o direito internacional são a pedra angular de sua política externa”, afirmou.

Segundo Motzfeldt-Kravik, a Noruega não concorda com a versão atual do Conselho da Paz.

“A proposta que acabamos de receber – para um órgão abrangente com poderes bastante amplos para trabalhar em questões de paz e segurança, chefiado pelo próprio Trump, como é chamado no documento de constituição – era algo para o qual não estávamos preparados”, completou.

O governo da Alemanha agradeceu o convite, mas não se comprometeu a nada. O mesmo comportamento foi adotado pela Rússia.

A França optou por rejeitar, gerando a irritação profunda por parte de Trump. O americano prometeu taxar o vinho francês e 200% se Emmanuel Macron não mudar de ideia.

Já o Canadá alertou que não pretende pagar para fazer parte da iniciativa. Segundo o projeto, o país que depositar US$ 1 bilhão terá uma vaga permanente no Conselho.

A ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, emitiu um comunicado alertando que o órgão proposto por Trump “teria um mandato mais amplo do que a implementação do Plano de Paz de Gaza” e sinalizou que seu país continua a apostar na ONU.

“As Nações Unidas têm um mandato único para manter a paz e a segurança internacionais e a legitimidade para reunir as nações a fim de encontrar soluções comuns para desafios compartilhados. Embora possa ser imperfeita, a ONU e a primazia do direito internacional são mais importantes agora do que nunca”, disse.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que a Polônia precisaria da permissão de seu Conselho de Ministros para ingressar na organização internacional e da ratificação pela câmara baixa do parlamento. Ele ainda avisou em uma postagem no X: “Não vamos deixar ninguém nos enganar”.

O projeto, ainda assim, é ambicioso. Com mais de 60 países convidados, Trump quer aproveitar que é o presidente em 2026 do G20 para transformar a agenda do grupo para dar lugar à sua iniciativa.

Enquanto age para criar um novo órgão, Trump desmonta as atuais estruturas. A Casa Branca anunciou no começo de 2026 que estava abandonando 66 organizações internacionais. Outras tantas, porém, estão sendo asfixiadas lentamente. Washington suspendeu o repasse a muitas delas, levando entidades inteiras a avaliar sua própria existência.

ICL Notícias 

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Redação DiárioPB

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