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As Crônicas de Atibaia: O Laranja, a Donzela Invernal e os Ex-Ministros

Com Sara Winter e Fabrício Queiroz presos, além do ex-ministro Weintraub em fuga; é o começo do xeque-mate em Bolsonaro?

Depois de uma das semanas em que o governo mais acumulou derrotas desde sua posse, o Centrão e os militares são os únicos pilares carcomidos que ainda sustentam Jair Bolsonaro na presidência. Como um Rei num tabuleiro de xadrez, os movimentos do presidente são curtos e limitados, e não dão conta da avalanche de fatos que se sucedem no jogo em disputa.

Sara Winter em vídeo enviado ao BBB. Fonte: Reprodução/Arquivo Pessoal.
Sara Winter em vídeo enviado ao BBB. Fonte: Reprodução/Arquivo Pessoal.

Logo no início da semana, a líder de sua milícia federal, acampada na Esplanada dos Ministérios, foi finalmente presa, após afrontar e ameaçar as figuras da alta casta do Judiciário brasileiro. Junto com a prisão de Sara Winter, outra dezena de mandados foram cumpridos, apreendendo provas da rede de mentiras e ódio propagada pelos apoiadores do chefe do executivo.

Na sequência dos fatos, nos surpreendemos com a reviravolta do caso Queiroz, que foi encontrado escondido, ironicamente, num sítio em Atibaia. A cidade do interior de São Paulo se torna emblemática pela simbologia. Ironia pura, tendo em vista que a denunciante era niguém menos que a filha de Olavo de Carvalho, guru “ideológico” dos bolsonaristas.

Heloísa de Carvalho e Todd Tomorrow, que entregaram a localização do procurado, brindaram com suco de laranja no café da manhã. Lá estavam os dois: assistindo de camarote, na porta do sítio, observando a prisão ser efetuada. Logo Atibaia, local de um outro sítio que Moro tanto havia fuçado, nada havia encontrado, mas que a sua “convicção” o guiara à condenação de Lula.

Para encerrar a semana com chave de ouro, uma das mais importantes baixas foi registrada na equipe ministerial: Abraham Weintraub, ministro da Educação, pediu exoneração para buscar uma suposta vaga de diretor no Banco Mundial. Logo Weintraub, legítimo seguidor das bravatas e deboches bolsonaristas, deixa seu capitão a ver navios e foge para os EUA.

E para coroar o episódio da semana, temos o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, relembrando durante uma entrevista coletiva que o mesmo Weintraub era economista do banco Votorantin quando este quebrou. Como se a surrealidade já não fosse suficiente, o ex-ministro conseguiu falir uma das instituições que mais lucra no Brasil: um banco.

Aguardando as cenas dos próximos capítulos, estamos nos perguntando: quando é que o Centrão vai se sentir “confortável” para dar seguimento a um dos mais de trinta pedidos de impeachment enviados à Câmara? O que Rodrigo Maia está esperando? Será que aguarda os generais chegando novamente às portas do Congresso? Seria bom relembrar sobre isso também.

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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