OPINIÃO

A apatia e a inércia dos Movimentos Sindicais, Sociais e Populares.

 

Foto: Internet

É triste o cenário que nos é retratado, após décadas de apatia e inércia dos Movimentos Sindicais e Populares. As últimas mobilizações de peso remontam da década de 90. Desde 2002, com a Eleição de Lula, houve uma acomodação geral dos Movimentos, parecia que tava tudo resolvido. Em parte, a culpa da derrubada da Esquerda pela Elite dominante, recae sobre os Movimentos e suas lideranças, por não cumprirem suas atribuições Institucionais de construir uma perspectiva de luta, de dar encaminhamentos as suas categorias. Em nenhum momento foi sequer cogitado, muito menos implementado, por suas Organizações, não instituíram a Formação Política e Sindical em suas bases, a Formação de novos quadros, de novas lideranças, ao contrário, o que se via e se ver é o Aparelhamento dos Sindicatos, das Associações de trabalhadores(as), das Entidades Representativas dos Movimentos, Os Dirigentes, os Comandos das Entidades, são os mesmos da década de 90, não houve, e nem há, interesse de renovação dos seus quadros, as Entidades são propriedades de Grupos, de Partidos Políticos, o que me leva a concordar com as Teses de Rosa de Luxemburgo quando se refere às formas de lideranças do Movimento Proletário.

O Capitalismo, com suas nuances, criou uma nata de Dirigentes que, consciente ou inconscientemente, foram cooptados pelo Sistema, fazendo o trabalho de conter as massas, de manté-las apáticas e inertes aos avanços do Capitalismo. Essa temática fica bem clara na obra do pensador político italiano, Gaetano Mosca (1858-1941) na Teoria das Elites. No caso brasileiro, esses Dirigentes se tornaram uma Elite à parte, com poder e dinheiro advindo das Contribuições de seus Associados e do tão propalado Imposto Sindical. Só que, quando estes mesmos Dirigentes, não serviam mais ao Sistema, se tornaram desnecessários, perderam sua força política, não tinham mais nenhum poder sobre suas bases, não conseguiam mais organizar e dirigir a luta dos trabalhadores, sem nenhuma representatividade. O que faz a Direita, os reais detentores do poder: Cortam suas fontes de financiamento, Decretam a Liberdade Sindical, é Sócio/Contribuinte quem quiser; Extinguem o Imposto Sindical, o famoso “Dia do Governo” que alimentava os cofres das Entidades, a contribuição obrigatória de todos trabalhadores brasileiros uma vez por ano, era uma farra. E Reparem, estas ações realizadas pela Elite dominante eram as Bandeiras de Luta de várias Entidades, ditas progressistas. Esse foi o erro crucial dos Movimentos, abandonaram suas bases, Instituíram corporações, aparelhos meramente burocráticos, novamente citando Rosa de Luxemburgo, esqueceram de onde vinha a grana para manter este aparato, a fonte dos Recursos. Agora o que se ver, é a falência total do Movimento, entrou em colapso, Sindicatos e Entidades fechando as portas, vendendo os poucos bens patrimoniais que restam para tentar sobreviver. Não é o Bozo que é inteligente, é o Sistema que o sustenta, é o grande Capitalismo Nacional e Multinacional que pensam, que ditam as regras do jogo. A Esquerda Brasileira não conseguiu concatenar ainda o Processo de acordo bi-nacional impetrado pela Lava-Jato e o Governo Americano, via CIA e o Departamento de Justiça Americano em conluio com Membros do Judiciário e Ministério Público brasileiro. Não enxergou a manobra de desmantelamento do Sistema de Proteção a Amazônia: Desmoralizaram e sucatearam o IBAMA; Deixaram a ver navios o Instituto Chico Mendes; Travaram as fontes de recursos que mantinham as ONGs que zelavam pelas questões ambientais, inclusive da fiscalização da Floresta. Pronto, resolvido, no primeiro caso, com o discurso de combate a Corrupção, derrubaram a Presidente Dilma, com o apoio do Judiciário, sem qualquer indicio de ter cometido crime; Prenderam o Lula com a ridícula acusação de ter recebido como propina uma reforma num imóvel que não lhe pertence e empossaram um Presidente corrupto, com várias denúncias formais de crimes, mas que atendia aos interesses do Mercado Financeiro, aos verdadeiros donos do poder. Se a questão fosse a Corrupção, durante o curto Mandato do Temer, ocorreram vários casos de corrupção, inclusive com reuniões gravadas nos porões do Palácio da Alvorada (Caso Joesley Batista), sem que houvesse sequer notícias na mídia tradicional.

No mês de novembro de 2019, depois de levar esse monte de cipoadas, apesar do orgulho e das vaidades de seus Dirigentes, as eternas brigas por espaços políticos, aconteceu o improvável, as Centrais Sindicais se unem e, numa Assembléia Unificada, contra esse avanço do Fascismo, contra a implementação da política Neo-Liberal imposta pelo Capitalismo, decidem que o Dia 18/03/2020 será deflagrada a Greve Geral, não só dos Trabalhadores e Trabalhadoras, mas do Povo sofrido deste País, que está sendo aviltado todo dia por um Governo Anti-Povo. Me animei, agora vai. Nunca houve um momento tão propício para a deflagração de uma GREVE, o momento atual reflete todas as condições favoráveis para o sucesso de um Movimento Paredista, a insatisfação popular se reflete a cada ação deste desGoverno, a ADESÃO ao Movimento se mostra clara, evidente. Volto a citar Rosa, me perdoe minha amada esposa por parecer obcecado mas, são para outros fins. A Rosa nos ensina que, para a construção do Socialismo, como optamos pela Social Democracia, teríamos que ter ESTRATÉGIAS de enfrentamento aos avanços nefastos do Capitalismo. A Esquerda, em especial, seus Dirigentes, que por dever, conduziriam as massas para a consecução do objetivo final, eles teriam a obrigação de definir essas estratégias, saber os momentos propícios para este enfrentamento e, o que me parece, é que estas direções estão perdidas, sem norte. Afirmo isto, porque ouvi de um Dirigente, que de acordo com o Coletivo da Organização, há a possibilidade de ser “ADIADA” a Mobilização da GREVE GERAL a ser deflagrada no próximo dia 18 de março. E se espantem Senhores e Senhoras, sabe qual a justificativa dada pelos aguerridos Lideres da nossa “ESQUERDA BRASILEIRA”, Pasmem: MEDO DO CORONAVÍRUS. E eu pensei que era do poder bélico das “Forças de Repressão”. Difícil.

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