O deputado federal André Janones, um dos responsáveis pela mobilização digital que marcou a campanha vitoriosa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026, pretende levar parte da experiência brasileira para a Argentina. Em visita a Buenos Aires, ele afirmou que até 60% das estratégias utilizadas pelo chamado Exército de Lula nas redes sociais podem ser reproduzidas no país vizinho, em razão das semelhanças políticas e sociais entre as duas nações.
As declarações foram feitas em entrevista ao jornalista Gustavo Sylvestre, da emissora argentina C5N. Durante sua passagem pela capital argentina, Janones manteve encontros com dirigentes peronistas, entre eles o ex-ministro da Economia Sergio Massa, e conversou por quase três horas com a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner.
“Pelas realidades tão parecidas de nossos países, acredito que 50% ou 60% do que fizemos no Brasil pode ser repetido na Argentina”, afirmou o parlamentar.
Reunião de três horas com Cristina Kirchner
Janones relatou que seu encontro com Cristina Kirchner foi dedicado principalmente à experiência brasileira de mobilização política nas plataformas digitais, com destaque para o WhatsApp.
“Conversamos por quase três horas com Cristina. O principal foi falar sobre o que fizemos com o WhatsApp, os pontos que identificávamos como fortes, os eleitores, os critérios e o algoritmo”, explicou.
O deputado também destacou a impressão positiva que teve da ex-presidente argentina.
“Fui contagiado por sua energia, seu entusiasmo”, declarou.
A conversa ocorreu em um contexto de intercâmbio de experiências políticas entre lideranças brasileiras e argentinas, especialmente sobre o papel das redes sociais nas campanhas eleitorais.
Exército de Lula mobilizou apoiadores pelo WhatsApp
Ao explicar o funcionamento da estratégia brasileira, Janones destacou a organização de grupos de apoiadores em aplicativos de mensagens e a disseminação de orientações sobre o funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais.
Segundo o deputado, a mobilização alcançou uma parcela expressiva do eleitorado de Lula.
“20% dos eleitores de Lula estão no grupo de WhatsApp”, afirmou, ao descrever a dimensão da rede de comunicação utilizada durante a campanha.
Janones explicou que os participantes recebiam orientações sobre métricas, engajamento e mecanismos de distribuição de conteúdo.
“Enviávamos técnicas de uso algorítmico das redes sociais para driblar os algoritmos da Meta”, relatou.
A estratégia buscava ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente brasileiro e organizar a participação dos apoiadores nas discussões políticas realizadas nas plataformas.
Janones explica como evitar a amplificação de ataques
Um dos aspectos destacados pelo parlamentar foi a orientação para que os apoiadores de Lula evitassem interagir diretamente com publicações negativas sobre o presidente.
Segundo Janones, responder a ataques poderia produzir o efeito contrário ao desejado, uma vez que os algoritmos das plataformas interpretariam o aumento das interações como sinal de relevância do conteúdo.
“Sempre que vemos alguém falar mal do presidente Lula, não devemos defendê-lo, porque o algoritmo vai acreditar que é um conteúdo relevante. Passamos adiante e comentamos onde falam bem do presidente Lula”, explicou.
O deputado afirmou que a intenção da estratégia não era estabelecer uma hegemonia absoluta nas plataformas, mas disputar espaço com os grupos políticos adversários.
“Não queremos que as direitas sejam dominantes, queremos um equilíbrio”, declarou.
Experiência brasileira pode servir de referência para o peronismo
A visita de Janones a Buenos Aires coloca em discussão a possibilidade de adaptação das experiências brasileiras de comunicação digital ao cenário político argentino.
O deputado reconheceu que as diferenças entre os dois países impedem uma reprodução integral das iniciativas desenvolvidas durante a campanha de Lula. Ainda assim, avaliou que as semelhanças entre Brasil e Argentina permitem aproveitar uma parcela significativa das práticas de organização e mobilização nas redes.
Os encontros com Cristina Kirchner e Sergio Massa demonstram o interesse de lideranças peronistas em conhecer os métodos utilizados na campanha brasileira.
Para Janones, a experiência do Exército de Lula oferece referências sobre o funcionamento das plataformas digitais, a organização de apoiadores e a disputa pela atenção dos eleitores em ambientes dominados por algoritmos.
Com Brasil 247