BRASIL

Lula vai priorizar pautas no Congresso antes de escolher ministros do próximo governo, afirma Edinho Silva

Presidente do PT afirma que Lula ainda não iniciou conversas sobre a equipe de 2027 e destaca a aprovação da PEC da Segurança como prioridade para o fim do ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu concentrar seus esforços na aprovação de projetos estratégicos no Congresso Nacional antes de iniciar as negociações para a formação da equipe ministerial de seu quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. A informação foi dada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, nesta quarta-feira (28).

Segundo Edinho, Lula ainda não começou a discutir nomes para o próximo governo porque considera prioritário concluir o atual mandato com avanços na agenda legislativa. Entre os principais objetivos está a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que busca fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios no combate à criminalidade.

“É urgente que se aprove a PEC da Segurança. Porque hoje a segurança pública não é uma atribuição do Governo Federal”, afirmou Edinho. O dirigente defendeu a criação de um sistema nacional de gestão compartilhada, inspirado nos modelos existentes nas áreas de saúde, educação e assistência social.

A aprovação da proposta também é considerada importante para viabilizar a criação do Ministério da Segurança Pública, compromisso assumido por Lula para seu próximo mandato.

“Nesta semana ele está mais preocupado com a agenda parlamentar, com aquilo que precisa ser aprovado no Congresso. O presidente Lula está preocupado em fechar bem o seu mandato, em construir uma transição dele para ele próprio, mas com muita consistência”, declarou Edinho.

O presidente do PT explicou que Lula pretende conversar com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para organizar o calendário de votações até o fim do ano.

A expectativa é que as discussões sobre a composição ministerial avancem depois da participação de Lula na COP31, conferência climática prevista para novembro, na Turquia. O presidente deverá defender a continuidade dos compromissos internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas, incluindo a proposta de construção de um roteiro para a transição energética apresentada durante a COP30, em Belém.

Democracia foi decisiva na eleição, avalia Edinho

Ao analisar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, Edinho destacou que a campanha conseguiu apresentar à sociedade dois projetos distintos de país, colocando a defesa da democracia e dos direitos sociais no centro do debate.

“Nós conseguimos confrontar os dois projetos de país no segundo turno, aquilo que o Flávio Bolsonaro representava e aquilo que o presidente Lula representa. Aquilo que foi o governo Bolsonaro, que o Flávio Bolsonaro reivindicava para ele, e aquilo que representa o presidente Lula ao longo da sua história política”, afirmou.

O dirigente também ressaltou a importância de compreender o comportamento do eleitorado, especialmente dos jovens, na mobilização que garantiu a reeleição presidencial.

“Certamente nós teremos que estudar e avaliar com muita cautela o peso que teve o debate da democracia nesse segundo turno”, declarou.

PT sinaliza apoio a Motta e Alcolumbre

Edinho confirmou ainda que a federação formada por PT, PCdoB e PV caminha para apoiar a recondução de Hugo Motta à presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre ao comando do Senado.

“Esse é o sentimento, tudo caminha para que o Partido dos Trabalhadores, a não ser que aconteça alguma coisa nesse meio tempo, que não acredito que aconteça, apoie a recondução do deputado Hugo Motta”, afirmou.

Na área econômica, o presidente do PT disse que Lula pretende combinar responsabilidade fiscal com crescimento sustentável, inovação tecnológica e modernização industrial.

Segundo Edinho, o presidente defende o equilíbrio das contas públicas e costuma resumir sua visão sobre a gestão fiscal com a máxima de que “nunca se gasta mais do que se ganha”.

A orientação sinaliza que o quarto mandato deverá buscar a conciliação entre estabilidade econômica, desenvolvimento produtivo e manutenção das políticas sociais que marcaram os governos anteriores de Lula.

Redação DiárioPB

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