CRÔNICA À DERIVA

Um voto sem medo de ser feliz

Há fotografias que dizem muito mais do que aquilo que aparece dentro de uma moldura

Esta fotografia, diante da Caravela Cultural, representa para mim um pouco daquilo que sou, daquilo que defendo e daquilo em que acredito. De um lado, a imagem do presidente Lula. Do outro, eu, Sérgio Ricardo, presidente da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz. Entre nós, uma história construída a partir da cultura, da comunicação e da defesa de uma sociedade mais justa.

Sou assumidamente de esquerda. Defendo a igualdade, o socialismo e a ideia de que todos devem ter os mesmos direitos, independentemente de onde nasceram, de quanto ganham ou da posição que ocupam na sociedade.

E é justamente por acreditar nisso que declaro, sem medo de ser feliz, meu voto no presidente Lula.

Tenho orgulho das minhas convicções. Tenho orgulho de dizer que sou de esquerda. E tenho orgulho de dizer em quem voto.

Faço essa escolha de forma consciente, porque acredito que cada pessoa tem o direito de escolher o caminho político que considera mais adequado para o país. O meu caminho passa por Lula e pela visão de Brasil na qual acredito: um país que combata as desigualdades e tenha atenção especial às parcelas menos favorecidas da população.

Lula está concorrendo a um quarto mandato presidencial em uma das eleições mais difíceis de sua trajetória política. E enfrenta uma disputa que vai muito além do palanque e do horário eleitoral.

Há, de um lado, uma parte da imprensa de massa que, na minha avaliação, apresenta matérias e abordagens que muitas vezes distorcem a imagem do presidente. De outro, existe um verdadeiro exército de produtores de fake news atuando nas redes sociais contra Lula, utilizando inclusive recursos de inteligência artificial para fabricar conteúdos difamando sua imagem.

E há ainda a atuação das grandes plataformas de tecnologia, as chamadas big techs, que possuem enorme poder sobre aquilo que circula ou deixa de circular na internet. A derrubada ou restrição de conteúdos políticos nessas plataformas passou a fazer parte do ambiente de disputa eleitoral e também levanta debates sobre transparência, moderação e liberdade de expressão.

Como profissional da comunicação, não consigo olhar para esse cenário com indiferença.

Defendo uma imprensa livre, plural e responsável. Defendo também o direito de qualquer cidadão produzir conteúdo, questionar governos, criticar políticos e manifestar suas opiniões. Mas acredito que liberdade de expressão precisa caminhar junto com responsabilidade e compromisso com a verdade.

E existe uma outra questão que me toca particularmente: a cultura.

Como presidente da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, uma instituição que tem a cultura como razão de existir, também faço minhas cobranças ao candidato em quem decidi votar.

Quero a continuidade e a ampliação das políticas públicas destinadas à cultura. Quero mais projetos de incentivo, mais oportunidades e mais respeito por aqueles que sobrevivem fazendo cultura.

Porque quem vive de cultura também é trabalhador.

Por trás de um poeta existe alguém que precisa pagar suas contas. Por trás de um músico existe uma família. Por trás de um fotógrafo, cineasta, artesão, escritor, ator, produtor cultural ou artista popular existe uma pessoa que também precisa de férias, descanso, segurança e dignidade.

Quero que essas pessoas possam viver fazendo aquilo de que gostam.

Que possam pagar suas contas em dia.

Que possam ter direito ao descanso.

Que possam passar tempo com seus filhos, companheiros, pais e amigos.

Que possam envelhecer com dignidade.

Que possam olhar para aquilo que fizeram e dizer: eu consegui viver daquilo que amo.

Essa é uma das esperanças que deposito no futuro do país.

Não acredito em cultura como simples ornamento. Cultura é trabalho, identidade, memória, educação e transformação.

E há uma razão muito concreta para eu relacionar meu voto à defesa das políticas públicas de cultura: a Lei Aldir Blanc e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

A Lei Aldir Blanc foi um marco importante para o setor cultural durante a pandemia, destinando recursos emergenciais a trabalhadores e espaços culturais. Posteriormente, a Política Nacional Aldir Blanc, criada pela Lei nº 14.399/2022, estabeleceu uma política permanente de repasses da União para estados e municípios financiarem ações culturais. No governo Lula, essa política foi regulamentada e estruturada para garantir a continuidade dos repasses ao setor.

Através dessas políticas públicas, milhares de artistas e trabalhadores da cultura conseguem desenvolver projetos em diferentes segmentos artísticos, da música à literatura, do teatro à dança, das artes visuais ao audiovisual, da cultura popular ao patrimônio e a tantas outras manifestações.

Para mim, votar em Lula também significa defender a continuidade e a ampliação das políticas públicas de incentivo à cultura.

Porque não basta dizer que o Brasil é um país culturalmente rico. É preciso criar condições para que quem produz essa cultura possa sobreviver dela.

É preciso que o artista tenha oportunidade de trabalhar, produzir, criar e receber pelo seu trabalho.

É preciso que a cultura chegue também aos pequenos municípios, às periferias, aos bairros afastados dos grandes centros e aos lugares onde a criatividade muitas vezes existe em abundância, mas os recursos quase nunca chegam na mesma proporção.

A cultura brasileira não nasce apenas nos grandes teatros. Ela nasce na praça, no terreiro, no cordel, na rádio comunitária, no grupo de teatro, na literatura independente, na música, no audiovisual, na dança e nas pequenas iniciativas que sobrevivem graças à persistência de seus produtores.

E talvez seja por isso que esta fotografia tenha tanto significado para mim.

Ela junta, em um mesmo quadro, política, cultura, comunicação e uma parte da minha própria caminhada.

Não escondo minhas convicções. Tenho orgulho delas. Tenho orgulho de dizer que sou de esquerda. Tenho orgulho de dizer em quem voto.

Voto em Lula.

Voto acreditando na possibilidade de um país mais digno e igualitário, onde as políticas públicas possam alcançar aqueles que historicamente tiveram menos oportunidades e onde a cultura possa ser tratada como direito, mas também como profissão.

Sei que outras pessoas pensam diferente. E respeito.

A democracia que defendo é justamente aquela em que podemos discordar sem transformar o outro em inimigo.

Não quero convencer ninguém pela força, pela ofensa ou pela imposição. Quero apenas deixar registrado, com toda a clareza, aquilo em que acredito e as razões que me levam a fazer essa escolha.

Porque cada um de nós carrega uma história, uma memória, uma experiência de vida e uma maneira própria de enxergar o mundo.

Esta é a minha.

E este é o meu voto, registrado nesta fotografia e nestas palavras, com orgulho das minhas convicções e esperança de que o Brasil continue avançando na construção de um país mais justo, democrático e igualitário.

Voto Lula.
Voto 13.

Sérgio Ricardo

Sérgio Ricardo Santos é fotojornalista, colunista, produtor cultural e diretor do Portal DiárioPB e da Rádio DiarioPB. Atua como editor,… More »

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