BRASIL

Caso Moraes movimenta redes sociais, mas não amplia apoio ao impeachment, diz pesquisa

Levantamento da Palver mostra avanço de acusações de corrupção contra o ministro, enquanto caso Master também desgasta Flávio Bolsonaro

As revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes mudaram o eixo das críticas nas redes sociais, mas não alteraram, até agora, a divisão sobre sua permanência no Supremo Tribunal Federal. O ataque antes concentrado em acusações de autoritarismo passou a ser associado principalmente à corrupção, segundo monitoramento da Palver divulgado pelo UOL.

De acordo com o levantamento, a mudança mais expressiva ocorreu no WhatsApp. Antes da revelação, 57% dos argumentos contrários a Moraes o enquadravam como autoritário, censor ou responsável por excesso de poder. Depois do caso, esse índice caiu para 12%. No mesmo intervalo, as menções que associam o ministro à corrupção saltaram de 18% para 53%.

O movimento também foi identificado nas demais redes monitoradas, embora em proporções diferentes. A Palver aponta que o episódio ofereceu aos grupos que já eram críticos ao ministro uma nova frente de ataque, agora com apelo moral mais amplo e menos dependente da polarização em torno do Supremo e dos julgamentos relacionados à tentativa de golpe de 8 de janeiro.

A troca de enquadramento é politicamente relevante. A acusação de autoritarismo costuma dividir opiniões conforme a posição dos usuários sobre o STF. Já a acusação de corrupção circula com maior facilidade entre públicos distintos e tende a ser mais difícil de neutralizar com a tese de perseguição política ou de defesa da democracia.

A reação favorável a Moraes, baseada nos argumentos de que o ministro atuou para proteger as instituições e estaria sendo alvo de vazamento seletivo, perdeu espaço nas conversas nas primeiras horas após a divulgação do caso.

No campo eleitoral, a maior parte das menções políticas usou o episódio para atingir o governo Lula, associando Moraes ao campo governista. Mas o levantamento também identificou um efeito colateral sobre a oposição, especialmente sobre o senador Flávio Bolsonaro.

Parte das publicações passou a cobrar coerência de Flávio, que pediu a renúncia de Moraes no mesmo dia em que o caso ganhou força nas redes. Usuários retomaram a ligação do senador com Daniel Vorcaro no caso “Dark Horse”. No X, cerca de 23% do uso político do episódio seguiu essa linha, segundo a Palver.

Quando Flávio aparece associado ao Banco Master ou a Vorcaro, sua aprovação entre menções opinativas cai para 5% no X e permanece em nível igualmente baixo nas demais redes. Para o levantamento, o caso Master tem funcionado menos como arma exclusiva de um campo político e mais como um fator de desgaste para todos os nomes que passam a ser vinculados a ele.

A mesma dinâmica, segundo a análise, já atingiu Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner. Agora, chega também a Alexandre de Moraes, ampliando o ruído político em torno do caso sem produzir um vencedor evidente.

A pressão por impeachment do ministro cresceu em volume nas redes, mas aparece acompanhada de forte descrença sobre qualquer consequência institucional. A avaliação predominante entre muitos usuários é que o processo dificilmente avançará, já que depende do presidente do Senado.

Entre os que apontam possíveis beneficiários do episódio, uma parcela expressiva afirma que não há ganhadores. A leitura é de que o caso reforça a desconfiança em relação às instituições e aprofunda o desgaste de atores de diferentes campos políticos.

O monitoramento conclui que, nas primeiras horas, houve intensa mobilização digital, mas sem mudança prática nas posições sobre Moraes. As proporções entre os que defendem a saída do ministro e os que rejeitam essa hipótese permaneceram praticamente estáveis.

Com Brasil 247

Redação DiárioPB

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