BRASIL

Lula projeta guinada tecnológica no 4º mandato com terras raras, IA e data centers

Presidente defendeu investimento em inteligência artificial e centros de dados no Brasil durante evento no Rio de Janeiro

O presidente Lula (PT) afirmou neste sábado (22) que pretende realizar uma profunda guinada tecnológica no país, priorizando a exploração soberana de minerais críticos e terras raras, a independência em inteligência artificial e a atração de centros de dados para o território nacional. As declarações foram dadas durante um ato político realizado no Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, o Estádio de Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, em apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado e ao próprio projeto de reeleição presidencial.

Em discurso diante de um estádio lotado por apoiadores, o chefe do Executivo destacou que a posse e o processamento de terras raras situam o Brasil em uma posição central na geopolítica mundial do século 21. “A questão dos minerais críticos e terras raras. Terra rara é uma terra que tem produtos químicos que a gente pode extrair e fazer coisas importantes, baterias de carros elétricos, chips… Você pode fazer um monte de coisa. E o Brasil é o segundo ou primeiro país do mundo em reservas de minerais críticos e terras raras”, enfatizou o presidente.

Lula contextualizou a disputa global pela hegemonia do setor e reafirmou a neutralidade diplomática do país em prol do desenvolvimento nacional. “Essa briga dos Estados Unidos com a China é porque a China é o país que melhor conseguiu desenvolver a exploração, a fabricação e a produção dessas coisas. Eu não tenho preferência entre Estados Unidos, China, Rússia, França ou Inglaterra. Eu sou brasileiro e quero as coisas para o nosso país. Quem quiser construir parceria conosco vem para cá”, pontuou. O presidente defendeu que o benefício desses recursos deve ser revertido diretamente para a formação das novas gerações brasileiras. “Eu vou formar os filhos de vocês, os netos de vocês, porque eles vão ter que se preparar para dizer: essa riqueza é nossa e vai ser o passaporte do futuro da sociedade brasileira, para que nossos filhos e netos tenham o que a gente não conseguiu ter. Que eles vivam melhor que nós, estudem melhor”.

Na área de tecnologia da informação, o presidente apontou a disparidade no domínio mundial do setor, observando que os Estados Unidos detêm 70% da inteligência artificial global, enquanto a China concentraria entre 5% e 20%. Antecipando os desafios eleitorais, Lula alertou para a utilização dessas ferramentas pelos adversários políticos. “Nessa campanha vai ter muita inteligência artificial, porque o lado de lá não sabe dizer a verdade. Eles vão trabalhar com inteligência artificial.”

Para contrapor esse cenário e evitar a dependência externa de tecnologia, Lula reforçou a necessidade de investimentos na formação educacional de ponta. “E eu quero fazer muito investimento e escolas, como a que nós fizemos aqui, a Faculdade de Matemática. Quero formar muita gente em matemática, engenharia e inteligência artificial, porque o Brasil não quer copiar o modelo chinês ou americano. É inteligência artificial falando em português. E já estamos avançados, porque o Brasil tem um banco de dados muito poderoso. Na minha cabeça não existe a palavra impossível”, declarou.

Por fim, o plano exposto em Bangu vincula o desenvolvimento digital ao avanço da transição energética do país. De acordo com Lula, a infraestrutura nacional de energia eólica, solar e de hidrogênio verde posiciona o Brasil de forma privilegiada para sustentar a alta demanda de energia exigida pela computação de alto desempenho. O mandatário anunciou articulação com o Legislativo para viabilizar esses projetos. “Quero fazer a revolução energética nesse país. Poucos países têm a possibilidade de fazer a revolução energética que nós temos que fazer. Não só eólica, solar e de hidrogênio verde, mas um monte de coisas. E vamos começar com o Congresso Nacional aprovando um projeto para trazer datacenter para o Brasil. A gente vai dar um show também nessa área, com datacenter funcionando aqui no Brasil, porque gasta muita energia e nós temos energia aqui no Brasil”.

DiárioPB com Brasil 247

Redação DiárioPB

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