O termo “ciclone bomba” descreve um ciclone extratropical que fortalece sua circulação em um intervalo muito curto. A pressão atmosférica no centro do sistema cai de maneira acentuada, o que aumenta a velocidade dos ventos e favorece a organização de tempestades intensas. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (5) pela CNN.
O Centro-Sul do Brasil entrou em alerta diante da possível formação de um ciclone extratropical de rápida intensificação, capaz de provocar temporais, granizo e rajadas severas entre quinta-feira (6) e sábado (8). O sistema deve ganhar força entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, enquanto a frente fria associada amplia os efeitos para outras áreas do país e prepara uma queda de temperatura após sua passagem.
A expressão “ciclone bomba” não significa que ocorrerá uma explosão física. A expressão faz referência à velocidade com que o sistema aprofunda sua área de baixa pressão e aumenta a intensidade da circulação dos ventos.
Para caracterizar um “ciclone bomba”, meteorologistas usam como referência uma redução mínima de 24 milibares, unidade equivalente ao hectopascal, durante um período de 24 horas. Esse processo costuma ocorrer em latitudes mais altas, onde o encontro entre massas de ar com temperaturas muito distintas cria condições para uma rápida intensificação atmosférica.
O modelo COSMO, usado pelo Inmet, projeta uma pressão central próxima de 967 hPa na sexta-feira (7) e cerca de 941 hPa no sábado (8). A diferença representa uma queda aproximada de 26 hPa em 24 horas, marca compatível com a bombogênese. A evolução real da pressão definirá a classificação final do fenômeno.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) acompanha a evolução da área de baixa pressão e aponta condições favoráveis à chamada ciclogênese explosiva, ou bombogênese. O órgão elevou o grau de atenção no Rio Grande do Sul e ativou um aviso vermelho de grande perigo para tempestades no centro-sul do estado, com validade entre quinta e sexta-feira.
Formação deve começar nesta quinta-feira
Segundo o Inmet, o processo começa a se organizar por volta das 9h de quinta-feira, a partir de uma região alongada de baixa pressão sobre o norte da Argentina e o Paraguai. O sistema deve avançar e formar um centro de baixa pressão entre o Uruguai e o litoral gaúcho.
Nas horas seguintes, o ciclone tende a se aprofundar sobre o Atlântico Sul. O Inmet calcula que o sistema alcance sua menor pressão e sua maior intensidade no sábado. Depois, o ciclone deve seguir para sudeste e se afastar gradualmente da costa sul-americana.
Embora o centro permaneça sobre o oceano durante a fase mais intensa, a circulação do ciclone impulsiona uma frente fria e linhas de instabilidade sobre o continente. Essas estruturas podem espalhar chuva forte, raios, granizo e ventos intensos por uma área ampla.
Rio Grande do Sul concentra o maior perigo
A Região Sul deve enfrentar os efeitos mais severos entre quinta-feira e sábado. O Inmet prevê chuva com trovoadas nos três estados, além de condições favoráveis à queda de granizo no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná.
O aviso vermelho para o centro-sul gaúcho indica possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora ou acumulados acima de 100 milímetros em um dia. O alerta também considera ventos superiores a 100 km/h e risco de granizo, danos em construções, interrupções no fornecimento de energia, queda de árvores, alagamentos e transtornos no transporte.
O Inmet também mantém aviso laranja de perigo para o restante do Rio Grande do Sul, o centro-oeste de Santa Catarina, o oeste e o sul do Paraná e o sul de Mato Grosso do Sul. Outras áreas dos três estados sulistas permanecem sob aviso amarelo de perigo potencial.
Na faixa costeira e em diferentes pontos da Região Sul, as rajadas podem superar 60 km/h. Sobre o Atlântico, principalmente nas proximidades do núcleo do ciclone, os ventos podem passar de 100 km/h.
Frente fria amplia impactos para o Sudeste
A frente fria ligada ao ciclone deve alcançar São Paulo na quinta-feira, com aumento da chuva e ocorrência de trovoadas durante a tarde e à noite. O sistema também pode provocar chuva no sul de Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Na sexta-feira, o Inmet prevê a permanência de chuva e trovoadas sobre São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais. O órgão mantém aviso laranja para vendaval no litoral sul paulista e aviso amarelo para ventos fortes em outras áreas paulistas, no sul mineiro e no território fluminense.
As projeções indicam rajadas entre 90 km/h e 110 km/h nos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Campinas, Ribeirão Preto e o sul de Minas Gerais podem registrar ventos entre 71 km/h e 90 km/h.
O sul de Mato Grosso do Sul também deve sentir a influência das instabilidades. O Inmet prevê pancadas de chuva durante a manhã de quinta-feira, intensificação à tarde e possibilidade de trovoadas no centro-sul do estado.
Granizo e linhas de instabilidade elevam o risco
O encontro entre a frente fria e a atmosfera quente e úmida pode favorecer a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical. Esse ambiente aumenta o risco de descargas elétricas, chuva intensa, granizo e rajadas produzidas pelas tempestades.
O modelo do Inmet também indica a possibilidade de linhas de instabilidade e frentes de rajada entre a Argentina, o Paraguai e o Sul do Brasil. Essas formações podem avançar rapidamente e provocar mudanças bruscas na direção e na velocidade do vento.
O órgão estima acumulados de chuva superiores a 80 milímetros em pontos da Região Sul até o início de sábado. O Inmet ressalta que os modelos podem alterar a localização e a intensidade dos maiores volumes à medida que novas informações atmosféricas entram nos cálculos.
Massa de ar frio derruba as temperaturas
Depois da passagem da frente fria, uma área de alta pressão deve avançar sobre a Argentina e o Sul do Brasil. Esse movimento favorecerá a entrada de uma massa de ar frio e provocará redução acentuada das temperaturas.
A queda deve começar no Rio Grande do Sul já na sexta-feira. O Inmet projeta máxima de apenas 18 °C em Porto Alegre e temperatura de 8 °C durante a noite. O resfriamento tende a alcançar Santa Catarina e Paraná antes de avançar para áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.
O ciclone deve se afastar da costa ao longo do fim de semana, mas a massa de ar frio manterá seus efeitos nos dias seguintes. O Inmet continuará atualizando os alertas conforme os modelos definirem com maior precisão a trajetória, a pressão central e a intensidade do sistema.
DiárioPB com Brasil 247