A crise política na Fifa ganhou novos contornos nesta segunda-feira (3), após a Uefa ameaçar recorrer à Justiça contra a entidade presidida por Gianni Infantino em razão do projeto, posteriormente abandonado, de abrir os direitos comerciais de suas principais competições ao capital privado. As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal britânico The Telegraph.
A Uefa enviou uma carta a Infantino informando que avalia “ativamente ações judiciais, arbitragem e/ou queixas regulatórias” relacionadas à criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que administraria competições como a Copa do Mundo e que poderia receber investimentos privados. Paralelamente, a Federação Inglesa de Futebol (FA) também deve retirar o apoio à candidatura de Infantino para um novo mandato na presidência da Fifa, aprofundando o isolamento político do dirigente suíço.
Além da ameaça de medidas legais, a Uefa determinou que a Fifa preserve toda a documentação referente ao projeto. O pedido abrange e-mails, mensagens enviadas por aplicativos como WhatsApp, Signal, Microsoft Teams e Slack, mensagens de texto, atas de reuniões e quaisquer outros documentos envolvendo dirigentes da Fifa, confederações continentais, federações nacionais, patrocinadores, emissoras de televisão e instituições financeiras.
Na correspondência, a entidade europeia afirma que a preservação dos documentos deve ocorrer independentemente das políticas internas de retenção de arquivos da Fifa. A Uefa também solicitou que Infantino confirme, em até cinco dias úteis, que adotou medidas para impedir a exclusão de qualquer material relacionado ao caso.
Projeto previa captação de US$ 4,2 bilhões
O plano previa a criação da Fifa Forward Enterprise, empresa responsável pela gestão dos direitos comerciais das principais competições da entidade. A proposta permitiria a venda de aproximadamente 20% da subsidiária para investidores privados, em uma operação estimada em até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 22,8 bilhões).
A iniciativa, no entanto, foi abandonada na sexta-feira (31) após enfrentar forte resistência de confederações continentais e associações nacionais.
Antes da desistência, Infantino havia enviado uma carta às 211 federações filiadas à Fifa prometendo o repasse de US$ 40 milhões para cada associação que apoiasse o projeto. O plano previa o pagamento inicial de US$ 20 milhões, condicionado à aprovação da proposta até 19 de setembro.
De acordo com a reportagem, o grupo de investidores interessado na operação era liderado pela Thrive Eternal, empresa americana de capital de risco fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Isolamento político aumenta
A ofensiva jurídica da Uefa amplia a pressão sobre Gianni Infantino. No sábado (1º), tanto a confederação europeia quanto a Concacaf declararam publicamente ter perdido a confiança na condução do presidente da Fifa em relação ao projeto.
A Federação Galesa de Futebol tornou-se a primeira associação nacional a retirar oficialmente o apoio à candidatura de Infantino para o mandato de 2027 a 2031. Agora, a expectativa é que a Federação Inglesa adote posição semelhante.
Segundo a BBC, dirigentes da Uefa trabalham para reunir apoio entre os integrantes do Conselho da Fifa para convocar uma reunião extraordinária da entidade. Pelo estatuto, são necessários 19 dos 37 votos do Conselho para solicitar o encontro, no qual poderá ser discutido um eventual pedido formal de renúncia de Infantino.
DiárioPB com Brasil 247