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Move Brasil estende financiamento para seminovos de até R$ 150 mil; conheça os modelos

Com a alteração, profissionais do transporte remunerado de passageiros poderão recorrer ao crédito incentivado

Move Brasil passou a permitir o financiamento de carros seminovos elétricos, híbridos ou flex, fabricados a partir de 2024 e avaliados em até R$ 150 mil, para taxistas e motoristas de aplicativo. A ampliação da linha de crédito pode movimentar até R$ 30 bilhões.

Até então, as condições especiais do programa estavam restritas à aquisição de veículos novos. Segundo O Globo, a mudança foi incorporada à medida provisória que trata da renegociação de dívidas rurais, editada pelo governo federal na quarta-feira (15).

Com a alteração, profissionais do transporte remunerado de passageiros poderão recorrer ao crédito incentivado para adquirir veículos usados que atendam simultaneamente aos critérios de preço, motorização e ano de fabricação. O automóvel deverá custar no máximo R$ 150 mil, ter sido produzido a partir de 2024 e utilizar tecnologia elétrica, híbrida ou motor flex.

A medida amplia as opções disponíveis aos trabalhadores, principalmente diante da diferença de preços entre veículos novos e seminovos. A expectativa é que o acesso a modelos mais baratos facilite a renovação da frota utilizada no transporte por aplicativo e no serviço de táxi.

Para identificar os veículos que podem atender às novas exigências, O Globo consultou os preços médios da Tabela Fipe referentes a julho de 2026. A ferramenta reúne valores praticados no mercado nacional para vendas à vista de automóveis ao consumidor final.

Os preços da Tabela Fipe, porém, servem apenas como referência. O valor efetivamente cobrado por um veículo seminovo pode variar conforme a região, a quilometragem, o estado de conservação, os equipamentos disponíveis e as condições negociadas entre comprador e vendedor.

Quem terá acesso ao financiamento

A linha de crédito poderá ser contratada por motoristas de transporte remunerado privado individual de passageiros, taxistas e cooperativas de táxi. O objetivo do Move Brasil é permitir que esses profissionais renovem os veículos utilizados como instrumento de trabalho.

Além do automóvel, o financiamento poderá incluir despesas relacionadas ao seguro do veículo, ao seguro prestamista e à instalação de equipamentos de segurança. O seguro prestamista garante a quitação ou a cobertura de parcelas da dívida em situações previstas no contrato, como morte ou invalidez do beneficiário.

A possibilidade de financiar equipamentos de segurança foi incorporada principalmente para atender a demandas apresentadas por mulheres que trabalham como motoristas. Os itens que poderão ser incluídos na operação dependerão das regras estabelecidas pelas instituições financeiras participantes.

Juros variam entre homens e mulheres

O Move Brasil prevê taxas de juros diferentes para homens e mulheres. Para motoristas e taxistas do sexo feminino, a taxa anunciada é de 0,91% ao mês. Para os homens, o percentual será de 0,99% ao mês.

Os contratos poderão ser parcelados em até 72 meses, equivalentes a seis anos. O programa também prevê um período de carência de seis meses, durante o qual o beneficiário poderá postergar o início do pagamento das parcelas, conforme as condições da operação.

Em termos anuais, as taxas utilizadas nas simulações divulgadas correspondem a aproximadamente 11,5% para mulheres e 12,6% para homens. Os percentuais ficam abaixo da taxa média considerada para financiamentos tradicionais de veículos destinados a pessoas físicas.

Financiamento de R$ 100 mil

O advogado José dos Santos Santana Jr., especialista em Direito Empresarial e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados, simulou o financiamento de veículos de R$ 100 mil e R$ 150 mil pelas condições do Move Brasil.

Os cálculos consideraram operações sem entrada, prazo de 72 meses e as taxas divulgadas pelo programa. Para efeito de comparação, foi utilizada uma taxa média próxima de 24,2% ao ano, ou 1,82% ao mês, em financiamentos convencionais.

Na compra de um veículo de R$ 100 mil pelo Move Brasil, uma mulher pagaria aproximadamente R$ 136.806 ao fim dos 72 meses. Para um homem, o valor total chegaria a R$ 140.485. A diferença acumulada seria de R$ 3.679.

Em um financiamento tradicional de igual valor e duração, o desembolso estimado seria de R$ 180.349. Na comparação, o programa proporcionaria uma redução próxima de R$ 44 mil para as mulheres e de R$ 40 mil para os homens.

— O dado que chama a atenção é que, no carro de R$ 100 mil, o programa coloca a prestação entre R$ 1.900 e R$ 2 mil, abaixo do aluguel médio usado por motoristas de aplicativo (que seria de R$ 3 mil por mês). Já no financiamento tradicional, a parcela sobe para cerca de R$ 2.500, aproximando-se do aluguel — afirma o advogado José dos Santos.

Economia pode superar R$ 65 mil

A simulação para um veículo de R$ 150 mil também indicou redução significativa no custo total do crédito. Pelas condições do Move Brasil, as mulheres desembolsariam cerca de R$ 205.208 durante os seis anos de contrato. Para os homens, o total seria de R$ 210.727.

No financiamento tradicional, o valor final estimado alcançaria R$ 270.524. A diferença seria de aproximadamente R$ 65.300 para mulheres e de R$ 59.800 para homens.

— No veículo de R$ 150 mil, a vantagem do programa continua relevante: a economia acumulada pode ultrapassar R$ 65 mil ao longo do contrato.

Apesar da diferença entre as taxas, o custo final de cada financiamento poderá variar. O valor das parcelas dependerá da quantia financiada, da eventual entrada, do período de carência, das tarifas bancárias, dos seguros contratados e de outras despesas incluídas na operação.

Carro próprio envolve despesas adicionais

O especialista ressalta que a comparação entre financiamento e aluguel não deve considerar apenas o valor mensal das prestações. A compra de um veículo transfere ao proprietário gastos que, em alguns contratos de locação, ficam sob responsabilidade da empresa locadora.

— Vale inserir uma ressalva: a comparação (entre financiamentos tradicionais e pelo Move Brasil) mostra apenas o custo do financiamento. O carro próprio ainda adiciona seguro, IPVA, manutenção e depreciação, enquanto parte desses custos costuma estar incluída no aluguel — observa o especialista.

Para motoristas de aplicativo e taxistas, também devem ser considerados o consumo de combustível, o custo de reposição de peças, as revisões periódicas e o tempo em que o veículo poderá ficar parado para manutenção.

Crédito para motocicletas e bicicletas começa no dia 27

O Move Brasil também terá uma linha destinada à compra de motocicletas e bicicletas novas por mototaxistas e entregadores de aplicativos. O início das operações nos bancos públicos, inicialmente previsto para o dia 13 de julho, foi transferido para o dia 27.

De acordo com as informações divulgadas, o adiamento foi necessário para a realização de testes adicionais nos sistemas utilizados pelas instituições envolvidas. A modalidade integra a estratégia do governo de ampliar o acesso a veículos de trabalho para diferentes categorias profissionais.

Com a inclusão dos seminovos, o programa passa a alcançar uma parcela maior do mercado automotivo. A efetiva contratação dos financiamentos, no entanto, dependerá da análise de crédito dos bancos, da documentação apresentada pelos profissionais e do enquadramento do veículo nas exigências estabelecidas.

 

Redação DiárioPB

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