A crise no Instituto Conhecimento Liberta (ICL), intensificada pela demissão do diretor de jornalismo Leandro Demori e pela saída voluntária do comentarista César Calejon, ganhou um novo desdobramento com um pronunciamento do fundador da instituição, Eduardo Moreira. Em vídeo divulgado nas redes sociais, e fechado para comentários, o empresário confirmou que a distribuição milionária de lucros aos sócios foi antecipada para evitar a incidência da tributação sobre dividendos aprovada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A declaração ocorre após o Diário do Centro do Mundo (DCM) revelar documentos que apontam a distribuição de R$ 43.665.886,47 em lucros referentes aos exercícios de 2024 e 2025. Segundo esses documentos, Eduardo Moreira recebeu cerca de R$ 25,1 milhões, enquanto Rafael Donatiello recebeu aproximadamente R$ 16,7 milhões. A divulgação dos valores provocou forte repercussão porque, pouco tempo depois, o ICL promoveu uma reestruturação que culminou em demissões e na saída de nomes importantes da equipe de jornalismo.
“Precisamos fazer isso”
No pronunciamento, Eduardo Moreira explicou que a antecipação da distribuição dos dividendos decorreu da mudança na legislação tributária.
“O caixa da empresa foi distribuído todo no ano passado para os sócios, porque teve uma mudança tributária no país, que passou, corretamente, a gente sempre defendeu isso, a tributar os dividendos. Então a gente precisou fazer isso para não pagar indevidamente mais de 5 milhões de reais em impostos e tributos.”
Embora Moreira não tenha mencionado os valores distribuídos a cada sócio, sua declaração confirma que a antecipação dos dividendos teve como objetivo evitar a incidência da nova tributação sobre os recursos já acumulados pela empresa.
O empresário acrescentou que os sócios que permaneceram no instituto utilizarão os recursos distribuídos para cumprir compromissos financeiros futuros da organização.
“Os sócios que continuam na empresa vão usar esse dinheiro que foi distribuído para pagar esses custos dos próximos anos. Os que saíram vão ficar com esse dinheiro, que já foi recebido e embolsado por eles.”
Reestruturação após distribuição dos lucros
Eduardo Moreira afirmou que o ICL concluiu um processo de ajuste para adequar seus custos à realidade financeira da instituição.
Segundo ele, o jornalismo custou R$ 8 milhões em 2024, passou para R$ 14 milhões em 2025 e tinha projeção de alcançar R$ 22 milhões neste ano.
“O ICL terminou ontem seu processo de ajuste de estrutura e de tamanho, adequando o custo da empresa à capacidade financeira que ela tem.”
De acordo com o fundador, foram realizados 15 desligamentos em uma empresa que possui mais de 350 funcionários, percentual que, segundo ele, corresponde a cerca de 4% do quadro total, e não aos 30% mencionados em documentos internos divulgados anteriormente.
Moreira também afirmou que o setor de jornalismo não possui receitas provenientes de publicidade privada, governos, empresas estatais ou monetização.
Defesa da gestão e negativa de censura
No vídeo, o fundador do ICL também rebateu críticas de que as mudanças representariam uma tentativa de interferência editorial.
“Ninguém nunca foi e nunca vai ser censurado no ICL. Nenhuma voz foi e nunca vai ser calada no ICL. Esse é o principal pilar da empresa.”
Ele ainda criticou o vazamento de uma comunicação interna do conselho editorial, feita pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e pediu que cessassem os ataques dirigidos à sua esposa, Juliana Baroni
Crise permanece aberta
As declarações de Eduardo Moreira não encerraram a crise enfrentada pelo ICL. Após a demissão de Leandro Demori, o comentarista César Calejon anunciou sua saída da instituição, afirmando deixar o projeto “com o coração partido”. Também deixaram a empresa profissionais como Adriana Ferreira, Nina Lemos, Alice Maciel, Pedro Barciela, Eduardo Souza, Thiago Barcellos e Juliana Zaroni, entre outros.
Ao final do pronunciamento, Eduardo Moreira reafirmou a continuidade do projeto, destacou que o ICL possui mais de R$ 100 milhões em compromissos financeiros para os próximos dois anos e anunciou o lançamento de um documentário sobre o senador Flávio Bolsonaro, que classificou como “o melhor documentário que o ICL já fez até hoje”.
DiárioPB com Brasil 247