
Centrais sindicais brasileiras denunciaram uma nova ofensiva dos Estados Unidos contra Cuba e divulgaram uma nota conjunta em solidariedade ao país caribenho, em meio a acusações feitas pelos Estados Unidos contra o general Raúl Castro por episódios ocorridos nos anos 1990. Os EUA também intensificaram os voos de vigilância em áreas próximas à ilha nos últimos meses. Políticos do campo progressista na América Latina apontam a movimentação como mais uma tentativa do governo do presidente estadunidense, Donald Trump, de violar a soberania de países do continente e ampliar sua influência sobre a política latino-americana.A nota reúne assinaturas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST). As entidades afirmam que Washington tenta transformar antigas disputas em pretexto para ampliar pressões contra Havana.
“Cuba enfrenta mais uma ofensiva infame do imperialismo estadunidense, baseada em falsas acusações contra o general Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e uma das principais lideranças da Revolução de 1959”, afirmou o texto assinado pelas seis entidades.
As centrais sindicais sustentam que o governo cubano enfrenta violações repetidas de seu espaço aéreo com objetivos hostis. A nota associa a ofensiva recente à tentativa dos Estados Unidos de reabrir o debate sobre um episódio de fevereiro de 1996, quando Cuba derrubou duas aeronaves operadas pela organização Hermanos al Rescate, sediada em Miami.
“De acordo com a nota, o “governo da ilha socialista é alvo de reiteradas violações de seu espaço aéreo com fins hostis”. “Agora, o governo extremista que ocupa a Casa Branca manipula um incidente ocorrido em fevereiro de 1996, nesse contexto de agressões e violações, que resultou no abatimento de duas aeronaves operadas pela organização terrorista Hermanos al Rescate, sediada em Miami. À época, Raúl Castro exercia o cargo de ministro da Defesa”, afirmou.
As entidades afirmam que a organização realizou sucessivas incursões no espaço aéreo cubano antes do episódio de 1996. Para as centrais, os Estados Unidos tentam criminalizar uma reação de autodefesa e criar justificativas para novas medidas contra a ilha.
“Essa organização realizou mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo cubano entre 1994 e 1996, em flagrante desrespeito ao Direito Internacional e à própria legislação dos Estados Unidos. Ao criminalizar uma ação de autodefesa amparada pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional e pelos princípios da soberania aérea e da proporcionalidade, os Estados Unidos buscam, na realidade, criar justificativas para intensificar sua política de agressão contra Cuba”, acrescentou.
O documento também destaca os efeitos do bloqueio econômico sobre a população cubana. As centrais citam dificuldades no abastecimento, nos serviços públicos e nas condições de vida, além da crise energética que atinge a ilha.
As entidades avaliam que uma nova escalada de tensão agravaria a situação social em Cuba, com impacto mais intenso sobre trabalhadores e setores mais pobres da população.
As centrais afirmaram que “o povo cubano já enfrenta enormes dificuldades decorrentes do bloqueio econômico e de uma severa crise energética, que impacta diretamente o abastecimento, os serviços públicos e as condições de vida da população”. “A imposição de mais uma escalada de tensão geopolítica e de novas medidas de hostilidade apenas agravará a crise humanitária vivida pela ilha, penalizando sobretudo os trabalhadores e o povo mais pobre”, continuou.
Em outro trecho, a nota acusa o governo dos Estados Unidos de agir fora dos marcos do Direito Internacional e de usar sua força econômica e militar para impor intimidação.
“Em um cenário marcado pela crise e decomposição da velha ordem mundial, o governo dos Estados Unidos atua à margem do Direito Internacional, recorrendo à supremacia econômica e militar para impor ao mundo a lógica da força e da intimidação.
Diante de mais essa injustiça, as centrais sindicais brasileiras manifestam sua solidariedade ao governo cubano e ao herói da Revolução Socialista, Raúl Castro, ao mesmo tempo em que repudiam as provocações, agressões e ameaças promovidas pela extrema direita trumpista”, acrescentou.
Assinam a nota Sérgio Nobre, presidente da CUT; Miguel Torres, presidente da Força Sindical; Ricardo Patah, presidente da UGT; Adilson Araújo, presidente da CTB; Antonio Neto, presidente da CSB; e Sonia Zerino, presidente da NCST.
Investidas dos EUA
O posicionamento ocorre após novas declarações de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, sobre Cuba. Em março, ele afirmou a jornalistas na Casa Branca que seria uma “honra” tomar a ilha. No início de maio, voltou a dizer que os EUA poderiam “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã.
No dia 14 de maio, John Ratcliffe, diretor da CIA, reuniu-se com autoridades cubanas em Havana. De acordo com a agência, ele transmitiu uma mensagem de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, segundo a qual Washington aceitaria discutir temas econômicos e de segurança caso Cuba faça “mudanças fundamentais”.
Com Brasil 247
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