POLÍCIA FEDERAL

Após decisão judicial, Deolane é enviada a presídio com superlotação no interior de SP

Deolane deixou a Penitenciária Feminina de Santana por volta das 5h

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi transferida nesta sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, depois de passar a noite na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital. A unidade de destino tem capacidade para 714 detentas, mas abriga atualmente 873 presas.

As informações são do g1. A transferência foi confirmada pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, após a Justiça manter a prisão preventiva da influenciadora em audiência de custódia realizada na tarde de quinta-feira (21).

Deolane deixou a Penitenciária Feminina de Santana por volta das 5h. A previsão era de que ela chegasse ao presídio de Tupi Paulista por volta do meio-dia. Antes de ser levada para a unidade prisional, a influenciadora havia sido presa em sua casa, em Alphaville, em Barueri, durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil.

A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo o inquérito, Deolane é apontada como integrante da facção e teria papel relevante na estrutura financeira investigada.

Os investigadores afirmam que contas ligadas à advogada teriam sido usadas para movimentar recursos atribuídos ao PCC e dificultar o rastreamento do dinheiro. Ao deixar a sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, antes de ser encaminhada ao sistema penitenciário, Deolane declarou que “a Justiça vai ser feita”.

A prisão da influenciadora ocorre no âmbito da Operação Vérnix, que investiga uma engrenagem de lavagem de dinheiro envolvendo empresas, movimentações financeiras e compra de bens de alto valor. De acordo com a polícia, a estrutura pública e empresarial de Deolane teria sido usada para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos.

Ainda segundo a investigação, valores atribuídos ao PCC eram misturados a recursos de outras atividades antes de retornar à facção. O inquérito aponta que parte do lucro teria sido incorporada à economia formal por meio da aquisição de bens em nome de empresas ligadas à advogada.

Entre os bens citados pelos investigadores estão veículos de luxo, como uma Ferrari SF90 Stradale avaliada em R$ 4,7 milhões e um Porsche 911 Carrera. A apuração sustenta que a compra de itens de alto valor fazia parte da tentativa de ocultar a origem dos recursos.

Antes da transferência para Tupi Paulista, Deolane passou a noite na Penitenciária Feminina de Santana, maior presídio feminino do estado de São Paulo em número de vagas. A unidade, no entanto, também está superlotada.

Segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária atualizados na quarta-feira (20), a Penitenciária Feminina de Santana tem capacidade para 2.686 mulheres, mas abrigava 2.825 detentas. O presídio funciona em regime fechado e possui 108 mil metros quadrados de área construída.

A unidade foi inaugurada em 8 de dezembro de 2005 e fica na Avenida General Ataliba Leonel, no bairro do Carandiru, região marcada historicamente pela presença do antigo complexo penitenciário que existia na Zona Norte de São Paulo.

O local onde hoje está parte da estrutura prisional fica a menos de 500 metros do terreno do antigo Complexo do Carandiru, demolido após o massacre de 2 de outubro de 1992. Na ocasião, policiais militares invadiram o Pavilhão 9 para conter uma rebelião, e a ação terminou com 111 presos mortos.

A Penitenciária Feminina de Santana abriga 1.627 presas a mais do que a segunda unidade feminina mais populosa do estado, a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu. Esta última tem capacidade para 739 detentas, mas conta com 1.198 mulheres em regime fechado.

O levantamento das unidades femininas de São Paulo mostra que a superlotação é recorrente no sistema prisional do estado. Além de Santana, Mogi Guaçu e Tupi Paulista, também estão acima da capacidade as penitenciárias de Votorantim, Pirajuí, Tremembé I e Ribeirão Preto.

A Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, para onde Deolane foi transferida, foi inaugurada em 16 de agosto de 2011 e possui 19,1 mil metros quadrados de área construída. A unidade tem capacidade para 714 mulheres, mas abriga 873 presas, segundo os dados mais recentes.

A investigação que levou à prisão de Deolane teve origem em bilhetes e manuscritos apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau, no interior paulista. Durante a análise do material, os investigadores identificaram referências a uma “mulher da transportadora”.

Segundo a polícia, essa pessoa era mencionada nos bilhetes como responsável por levantar endereços de agentes públicos, informação que seria usada para viabilizar ataques planejados pela organização criminosa.

Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O conteúdo do aparelho, de acordo com a investigação, revelou detalhes sobre a lavagem de dinheiro por meio de uma transportadora e indicou conexões financeiras com a influenciadora.

A partir desses elementos, o Ministério Público e a Polícia Civil passaram a investigar o caminho dos recursos e a suposta participação de pessoas e empresas na movimentação de dinheiro atribuído ao PCC. A prisão preventiva de Deolane foi mantida pela Justiça enquanto as apurações seguem em andamento.

DiárioPB com Brasil 247

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Redação DiárioPB

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