O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que o novo programa de renegociação de dívidas em preparação pelo governo federal poderá oferecer descontos de até 90% sobre débitos de pessoas físicas.
A iniciativa deve focar principalmente dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia, segmentos marcados por juros elevados e forte impacto sobre a renda das famílias.
O programa, que vem sendo tratado como uma nova versão do Desenrola, deve ser anunciado nos próximos dias e poderá marcar a grande estreia de Durigan no comando da Fazenda, em uma agenda diretamente ligada ao combate ao endividamento popular.
Após reunião com bancos em São Paulo, Durigan disse que governo e instituições financeiras chegaram a um “bom consenso” sobre as linhas gerais do plano. Ele afirmou ainda que alguns pontos foram arbitrados pela Fazenda para que o desenho final seja apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira.
“Imagina que você tem uma dívida de R$10 mil, que roda uma taxa de juros de 8% a 10% ao mês, (e vai trocar) por uma dívida muito menor que, por exemplo, pode ser de R$1 mil, com uma taxa de juros muito menor”, afirmou o ministro.

O novo programa também deverá permitir que trabalhadores utilizem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas, embora Durigan não tenha detalhado valores ou limites para essa operação.
Segundo o ministro, a iniciativa contará com linhas de crédito com “juros bem reduzidos”. A engenharia financeira será viabilizada por meio de um aporte do Tesouro Nacional ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), que servirá para oferecer garantias da União aos bancos participantes.
Durigan ressaltou que o programa terá duração limitada e não foi concebido como uma política permanente.
“São medidas pontuais e as pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de medida. Nós estamos vivendo uma situação excepcional”, disse.
O governo Lula já havia lançado, entre 2023 e 2024, o Desenrola, que renegociou R$ 53 bilhões em dívidas de aproximadamente 15 milhões de pessoas. Apesar do alcance do programa, o endividamento das famílias continuou elevado, pressionado por juros altos e pela expansão do crédito.
Agora, o Desenrola 2 surge como uma tentativa de aliviar o orçamento das famílias, ampliar a renda disponível e reduzir o peso das dívidas mais caras sobre trabalhadores e consumidores.
DiárioPB com Brasil 247
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