A brasileira Lorrayne Mavromatis entrou com uma ação judicial contra a empresa do influenciador MrBeast, alegando ter sofrido assédio moral e sexual durante o período em que trabalhou na companhia. O caso foi revelado inicialmente pelo g1 e ganhou repercussão após a própria executiva divulgar um relato detalhado em suas redes sociais.
A ação foi protocolada em um tribunal na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, contra a empresa MrBeast Industries. Lorrayne afirma que, ao longo de três anos de trabalho, enfrentou um ambiente profissional hostil, marcado por desigualdade de gênero, episódios de humilhação pública e pressão constante, inclusive durante o período de maternidade.“Nos últimos 3 anos, eu trabalhei na MrBeast Industries. […] Eu estava genuinamente, profundamente orgulhosa de ter a oportunidade de trabalhar ao lado de alguns dos melhores do setor”, escreveu a brasileira ao iniciar o relato.
Segundo ela, o ambiente corporativo era dominado por homens e dificultava sua atuação como executiva. “Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra — apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa 90 segundos depois e receber uma rodada de aplausos”, afirmou.
A ex-funcionária também relatou episódios de humilhação diante da equipe. “Me mandaram calar a boca na frente de toda a minha equipe”, disse.Acusações de assédio e ambiente abusivoEntre as denúncias mais graves, Lorrayne afirma que foi obrigada a participar de reuniões privadas com um executivo da empresa, descritas por ela como situações desconfortáveis e inapropriadas. “Tive que escutar o quão atraente e bonita eu era.”Embora o relato público não mencione nomes, o processo judicial cita o ex-CEO da empresa, James Warren, como um dos envolvidos nas acusações. Até o momento, a empresa não se pronunciou oficialmente sobre o caso.A ação também descreve o ambiente de trabalho como um “Clube do Bolinha”, com exclusão de mulheres em reuniões estratégicas e tratamento desigual em relação aos colegas homens. Entre os episódios citados está a exigência de tarefas consideradas degradantes, como buscar bebida para o fundador da empresa antes de gravações.Pressão durante a maternidadeOutro ponto central do processo envolve a suposta violação de direitos trabalhistas durante a gravidez e o período pós-parto. Lorrayne afirma que, apesar de ter licença-maternidade aprovada, foi pressionada a continuar trabalhando.“Eu tinha uma licença-maternidade aprovada e assinada pelo RH e concordei que trabalharia até o meu último dia de gravidez. Eu disse: enquanto eu estiver em trabalho de parto a caminho do hospital, eu ligarei para vocês. E é aí que quero que minha licença comece”.Ela relata que, na prática, o acordo não foi respeitado.
“No papel, parecia lindo, mas na realidade, não significava nada. Eu estava no hospital em trabalho de parto em uma reunião de equipe; uma semana após o parto, ainda me recuperando, privada de sono, emocionalmente e fisicamente exausta, eu já estava de volta ao trabalho.”Segundo a brasileira, ela foi demitida poucas semanas após retornar ao trabalho. “E a razão foi: ‘você tem um calibre muito alto para essa posição. Precisamos de alguém com um calibre menor’”.Impactos pessoais e decisão judicialNo relato, Lorrayne também destacou os impactos emocionais da experiência, especialmente em relação à maternidade. “Minha filha acabou de completar um ano. E quando olho para trás, para aqueles primeiros meses, e percebo que perdi o tempo de vínculo com o meu bebê, perdi os primeiros momentos dela — seu primeiro sorriso, sua primeira risada — isso me machuca de formas que eu nem consigo expressar. Esses momentos não esperam por você. Eles acontecem e, depois, se vão”.Ela afirma que não teve tempo para se recuperar física e mentalmente após o parto. “Tudo isso foi tirado de mim. Nunca poderei recuperar isso.”Ao anunciar o processo, a brasileira disse que busca não apenas reparação individual, mas também dar visibilidade a situações semelhantes. “Hoje estou tomando medidas legais. Por todas as mulheres que enfrentaram medo no ambiente de trabalho, que foram levadas a acreditar que precisam escolher entre seus filhos ou suas carreiras. Por cada mulher que foi silenciada. Tentaram me silenciar o suficiente — mas chega.”O que diz o processo
A ação judicial aponta possíveis violações da legislação trabalhista americana, incluindo a Lei de Licença Familiar e Médica (FMLA), que garante afastamento em casos como o nascimento de filhos.
Entre as acusações, estão a falta de orientação adequada sobre direitos trabalhistas, a exigência de atividades durante o período de afastamento e a demissão em curto prazo após o retorno, o que pode caracterizar retaliação.O caso ainda está em fase inicial na Justiça dos Estados Unidos e deve seguir para análise das autoridades judiciais. Enquanto isso, a repercussão nas redes sociais amplia o debate sobre condições de trabalho, assédio e direitos de mulheres no ambiente corporativo, especialmente em empresas ligadas à indústria do entretenimento digital.
DiárioPB com Brasil 247
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