O sonho de vestir o jaleco branco virou pesadelo para mais de uma centena de instituições de ensino no Brasil. O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta segunda-feira (19) os resultados explosivos do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), e o diagnóstico é de emergência médica: mais de 100 cursos de Medicina do país foram reprovados, obtendo as notas mais baixas possíveis (conceitos 1 e 2). Isso significa que, de todos os 351 cursos avaliados pelo Inep, 30% — ou seja, quase um terço — oferecem uma formação considerada insatisfatória. A situação é tão crítica que entidades de universidades particulares tentaram entrar na Justiça para impedir a divulgação desses dados vergonhosos, mas perderam a batalha.
O dado que mais assusta a população, no entanto, não é sobre as faculdades, mas sobre os alunos que estão saindo delas. Dos cerca de 39 mil estudantes concluintes avaliados (aqueles que estão a um passo de pegar o carimbo e atender você no pronto-socorro), quase 13 mil não conseguiram demonstrar conhecimento suficiente na prova. Estamos falando de um exército de recém-formados que, segundo o exame oficial do governo, não atingiu o nível de proficiência esperado para exercer a medicina com segurança. É um alerta vermelho de saúde pública: o risco de erro médico começa na sala de aula.
A análise detalhada expõe um abismo de qualidade. Enquanto as universidades públicas federais e estaduais brilharam (com mais de 84% dos cursos nas faixas de excelência), o desastre se concentrou nas instituições privadas com fins lucrativos (58,4% com desempenho fraco) e nas públicas municipais (87,5% nas piores faixas). O recado é claro: mensalidade cara não garante competência. Diante desse cenário, o ministro Camilo Santana anunciou “tolerância zero”. As punições são severas e imediatas: 8 faculdades estão proibidas de abrir novas turmas (suspensão total do ingresso), e dezenas de outras terão que reduzir drasticamente suas vagas e perderão o acesso ao Fies. Acabou a farra de abrir curso de medicina sem estrutura apenas para lucrar. As faculdades terão prazo para defesa, mas a mensagem foi dada: ou melhora o ensino, ou fecha as portas. A saúde do brasileiro não é mercadoria.
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