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2020 não acabou

O ano de 2021 só começa depois da vacina?

Já nos acostumamos a falar que o ano novo só começa depois do carnaval. Assim, uma pergunta ressoa em minha cabeça durante os últimos dias: como saber se o ano novo começou, se não temos carnaval? O povo brasileiro, mais do que nunca, se sente sem rumo. Há uma sensação de que, no fundo, 2020 não acabou.

A maior representação social, a festa mais conhecida do Brasil, o nosso grande evento anual… cancelado. Embora a vacinação tenha iniciado e a luta contra o covid tenha dado um enorme passo; vivemos numa realidade onde vemos o tempo passar e não sentimos os avanços reais. Reflexo de nossos líderes, reféns de nossas escolhas.

Enquanto debatemos sobre os rumos do BBB, a reta final do Brasileirão, privatização dos serviços públicos e o sucateamento do Banco do Brasil; os dias vão passando, a situação vai piorando; e idosos começam a receber injeções de ar ao invés de doses da vacina. Essas imagens não param de surgir nas redes sociais.

As outras imagens que não param de aparecer nas timelines falam por si só: a Ladeira da Misericórdia deserta e o Homem da Meia Noite voltando para casa, em Olinda. Já no Rio, as fotos são do Sambódromo vazio; onde só uma cor predominava: o cinza do concreto.

Por outro lado, a esperança de dias melhores vieram com as fotos e vídeos de outros carnavais! A ansiedade de brincar e fazer folia ainda levou as pessoas mais empolgadas a se maquiarem e se fantasiarem em casa mesmo. Numa espera pela vacina que mistura ansiedade e indignação. Num compasso marcado pela batida rápida no coração sofrido, porém esperançoso.

A única sensação de ano novo que chega até nós é aterrorizante. Ano novo, cepa nova: mais transmissível e mais agressiva. Enfim, a vontade que brincar o carnaval em 2021 deixa de lado a busca pela graça e esbórnia e se resume ao simples desejo marcado na agenda: que o ano novo chegue de uma vez por todas. O ano da vacina.

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João Jales

João Jales é jornalista e relações públicas. Paraibano de 35 anos vivendo no Rio de Janeiro; atua como produtor, redator e roteirista para empresas, agências e editoriais de Cultura, Esportes, Política, Brasil e Mundo em veículos de comunicação regionais do Sudeste e Centro Oeste, alternando entre redações, roteiros e produções para canais de TV e Youtube. Na mídia paraibana, já colaborou com a Rádio Zumbi, o Grupo WSCom; e o próprio Diário PB, onde foi de redator à Gestor Comercial, e atualmente faz parte do Conselho Editorial.

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